O caso da Petrobras é emblemático das dificuldades que o país atravessa. Repercute em diferentes segmentos da sociedade.
Parece que as atividades da Operação Lava Jato, em suas sucessivas etapas, não têm fim. Segue, impávida, impactando políticos, empresários, executivos, lobistas, empresas públicas e privadas.
Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal trabalhando articuladamente, têm colocado a vida nacional e a economia brasileira em transe.
O resultado é uma crise política que expõe a inexistência de confiança e credibilidade, e intensifica a crise econômica.
Nesse contexto, é interessante indagar qual é a relação entre corrupção e desenvolvimento. O país vive atordoado com as investigações, cuja abrangência em termos de pessoas e instituições vem se ampliando e influenciando atividades em diferentes setores.
A Eletrobrás e a Nuclebrás já entraram no radar da Lava Jato. E o resultado? Estagnação econômica.
Em recente entrevista, o presidente da Petrobras revelou que a empresa somente irá se recuperar em cinco anos e confirmou que o lucro do trimestre caiu cerca de 90%, minando a confiança dos investidores. Informou, ainda, que o maior problema da companhia é o endividamento. Solução? Vender ativos.
No setor privado, as empresas que tenham — ou tenham tido — negócios com a Petrobras também enfrentam problemas. Não conseguem tocar as obras contratadas, têm dificuldades em honrar compromissos que estão vencendo e obter novos financiamentos. A partir da paralisação de obras, a primeira consequência é a demissão de empregados.
Fechando este cenário nada risonho, conclui-se que a convergência entre corrupção e desenvolvimento é desastrosa para a economia nacional ao provocar desaceleração do crescimento e subverter os alicerces morais da nação brasileira.
Oxalá as ações da Lava Jato possam nos redimir.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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