Que desta vez não termine em pizza


| Tempo de leitura: 2 min
Desta vez, as tentativas do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em mascarar denúncias graves contra sua administração não surtiram os efeitos desejados, por causa da pressão popular e da imprensa de Franca, principalmente o Comércio da Franca. É séria a constatação de que pelo menos cinco falsos médicos atuaram na rede pública local, mas a municipalidade se cala e não dá qualquer indicação de que a situação será resolvida, devolvendo a tranquilidade aos milhares de francanos que diariamente dependem do atendimento nos prontos-socorros municipais. O problema é que, caso o Comércio não tivesse investigado e denunciado a existência desta quadrilha de falsários, a situação não teria desembocado na CEI (Comissão Especial de Inquérito) instalada ontem pela Câmara Municipal (leia nas páginas 3A e 4A).
 
Apresentada pelos vereadores Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB), a criação da CEI contou com votos suficientes, principalmente depois da adesão de nomes que integram a base aliada de Alexandre Ferreira. O que se espera, agora, é que a CEI não tenha o mesmo destino de outras que foram realizadas durante a atual legislatura (as dos ônibus e das mortes na Saúde, por exemplo), que nada produziram em termos de efeitos práticos. Ficaram, por isso mesmo, envoltas em confusões e relatórios que não prosperaram. O que a população de Franca não aceita é que o processo termine em mais uma pizza, o que seria a admissão, pelos próprios vereadores, de que não têm condições de cumprir uma de suas principais funções: acompanhar e investigar as ações do Poder Executivo.
 
Para quem conhece os bastidores do Legislativo, as proximidades das eleições municipais, daqui a pouco mais de um ano, podem ter levado os aliados de Alexandre a aprovarem a CEI. Basta ver como a comissão - formada por Márcio do Flórida (presidente), Daniel Radaeli (PMDB, relator) e Jépy Pereira (PSDB), cujos nomes foram sorteados ontem - vai conduzir os trabalhos e de que forma suas conclusões serão utilizadas. Se for levada com seriedade, poderá descobrir aquilo que a Prefeitura esconde: quantos falsos médicos de fato atuaram na rede pública de Franca e se houve erros que levaram à perda de vidas ou complicações de saúde decorrentes destes atendimentos. Quem sabe, a CEI possa ir mais longe e exigir explicações sobre os pagamentos feitos pela Prefeitura ao ICV (Instituto Ciências e Vida), cujos valores foram praticamente dobrados em relação ao que determina o contrato assinado. São essas respostas que todos os francanos esperam. E nós também.
 
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários