Num movimento surpreendente, que contou com a participação do presidente Marco Garcia (PPS), líder do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) no ano passado, a Câmara aprovou a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar o contrato assinado pela Prefeitura com o ICV (Instituto Ciências da Vida). Não bastasse a inesperada instalação da investigação, o governo ainda viu o sorteio colocar dois integrantes da oposição no comando do grupo que vai apurar denúncias de irregularidades e contratação de falsos médicos (leia mais aqui).
Numa Câmara dominada pela bancada governista, era improvável imaginar que a abertura de uma investigação, que poderá causar sérios transtornos ao prefeito, fosse aprovada. Todas as tentativas anteriores haviam sido barradas pelos aliados de Alexandre. A oposição conseguia, no máximo, quatro dos cinco votos necessários.
Ontem, o cenário era ainda mais difícil para uma aprovação, pois o vereador Daniel Radaeli (PMDB), defensor da CEI, não participou da sessão por conta de uma viagem aos Estados Unidos. O que o prefeito não contava era que o aprofundamento da crise e a gravidade das denúncias fizessem com que o governista Marco Garcia resolvesse dizer sim à investigação. “No momento em que mortes ocorreram em função da atuação de falsos médicos, eu não poderia me recusar em assinar o pedido de abertura. Há erros que são reparáveis. Mas, nesse caso, vidas foram ceifadas. A situação é muito grave e temos que tomar providências.”
Além de votar, Marco ainda conseguiu a adesão de seu companheiro de partido, Zezinho Cabeleireiro, o que foi decisivo para compensar a ausência de Radaeli e somar os cinco votos necessários. Os demais votos foram dos autores do pedido de abertura, Valéria Marson (PSDB) e Márcio do Flórida (PT), além de Nirley de Souza (DEM).
Em seguida, ao verem que a CEI já havia sido instalada e com medo de ficarem marcados como contrários à investigação, os demais vereadores, que normalmente barram qualquer tipo de apuração contra o prefeito, colocaram suas assinaturas no pedido de abertura da CEI.
Por meio de um sorteio realizado por servidores da Câmara, ficou decidido que a CEI será presidida por Márcio do Flórida, tendo o delegado Radaeli como relator e Jépy Pereira (PSDB) como terceiro membro.
Márcio acredita que a CEI será uma possibilidade de a Câmara fazer valer o seu papel de investigação e dar uma resposta para a população. “Há muita coisa errada acontecendo. Isso, todos estão vendo, só o governo que não vê. Temos a questão dos médicos falsos, dos valores absurdos pagos por um mesmo procedimento com valores muito diferentes e a diferença entre o valor de contrato e o montante, efetivamente, pago”, concluiu Márcio do Flórida.
Os integrantes da CEI vão se reunir na próxima semana para definir o plano de trabalho. O prazo previsto para a conclusão da investigação é de 120 dias.
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