É só observar Estados e Municípios onde o Partido dos Trabalhadores não é situação: a legenda pratica uma oposição acirrada, raivosa e enfurecida contra todos os que não compartilham de sua ideologia. Para isso, não se furta em mentir, distorcer números e índices ou então em acusar os adversários levianamente. O fato pode ser conferido nas propagandas do PT na televisão, nas últimas semanas, onde figuras do partido em São Paulo praticamente acusaram o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) de todos os problemas que o País vem enfrentando, causados em sua maioria pelo desgoverno que tomou conta da administração federal. Para a legenda, o Brasil vive uma crise transitória, mas vemos que continua se arrastando e atinge todos os setores de nossa economia.
Durante a cerimônia de entrega de moradias populares em São Luís (MA), a presidente Dilma Rouseff (PT), assombrada pelo fantasma do impeachment, disse que o momento é de pensar no Brasil, não em partidos políticos ou projetos pessoais; e defendeu a busca de estabilidade para superar o momento de dificuldade. “Vamos repudiar sistematicamente o vale-tudo para atingir qualquer governo. No vale-tudo, quem acaba sendo atingido pela torcida do quanto pior melhor é a população”, afirmou.
O interessante é que, em termos domésticos, o vale-tudo político parte principalmente do seu partido, que não se constrange em mentir em rede nacional e patrocinar os maiores escândalos de corrupção do Brasil para financiar um projeto de poder que seria perenizado não fossem os processos do Mensalão e do Petrolão, este ainda sob investigação. O Brasil não pode ficar mais à mercê de um governo que transformou sua relação com o Legislativo em um balcão de comércio, comprando apoios no varejo com o dinheiro que vinha sendo desviado da Petrobras e de outras empresas privadas, como a Eletrobrás.
Esquece-se a chefe da Nação de que ela conseguiu chegar até aqui pela falta de uma oposição sistemática, permitindo-lhe tomar decisões equivocadas que causaram a crise atual. Quando vê o barco afundando, perdendo o apoio de partidos que lhe garantiram maioria no Congresso Nacional, sem que exista uma boia para se sustentar, Dilma apela para o discurso no qual o brasileiro não acredita mais. Falar é muito fácil. Os fatos recentes apontam para desespero de quem se vê encalacrada, isolada e despreparada para enfrentar uma situação que ela mesma criou e que não cabe à oposição resolver, como disse ontem o senador Aécio Neves, um dos principais nomes entre os tucanos.
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