A feira e congresso da ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura), ocorrida na semana passada mostrou que o setor de TV paga está preocupado com o crescimento acelerado da Netflix no Brasil.
O sistema da Netflix funciona há quatro anos no país e o número real de usuários brasileiros não foi divulgado. Mundialmente, a empresa soma 65 milhões de assinantes, sendo que 23 milhões deles estão fora dos Estados Unidos. O cálculo é que 2,5 milhões sejam de usuários brasileiros. O Brasil é o quarto maior mercado da Netflix, ficando atrás apenas de Estados Unidos, Canadá e Reino Unido. Somente em 2015, a empresa deve ganhar R$ 500 milhões, o que ultrapassaria o lucro da Band e da Rede TV! que ocupam, respectivamente, o quarto e quinto lugar de maiores redes abertas do país.
A Netflix tem recebido críticas, sendo considerada uma "concorrência assimétrica", "injusta", ou ainda uma espécie de "Uber" audiovisual. A comparação é feita com o aplicativo que estaria retirando clientes dos taxistas. Os responsáveis por empresas de TV por assinatura estimam que os usuários da Netflix no Brasil possam chegar aos 4 milhões, o que levaria a empresa a um lucro de 1 bilhão. Esse valor é o correspondente aos lucros do SBT. Caso a Netflix fosse uma TV paga, estaria abaixo apenas da Net e Sky em número de clientes.
Uma das principais reclamações dos executivos de TVs por assinatura é a de que a Netflix pagaria menos impostos que eles, devido ao seu sistema conhecido como OTT (over-the-top), com conteúdos na "nuvem" difíceis de regulamentar. Isso reduziria os custos em 50%. Um dos exemplos disso é quanto ao número de funcionários. Enquanto as TVs pagas teriam 135 mil empregados, a Netflix não chega a uma centena deles. Sem pagar ICMS ou Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional), a empresa evita o gasto de R$ 9 milhões. A Netflix se defende e afirma que paga todos os impostos devidos.
"A Netflix não faz nada de errado. Ela joga o jogo com as regras que ela tem. É uma empresa global, um novo player, que substituiu a videolocadora", explica Oscar Simões, presidente da ABTA. Ele esclarece que a empresa ainda não representa uma ameaça ao setor de Tvs pagas, mas essa realidade pode mudar, caso não haja uma mudança na forma de cobrança tributária da empresa. "Não temos nada contra a Neflix. Mas apelamos ao governo para que haja uma isonomia tributária", declarou Simões.
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