Com que cara eles devem estar?


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As investigações da Operação Lava Jato têm descoberto coisas interessantes que revelam como se movimenta a vida política do País, com um assalto sistemático aos cofres públicos. Campanhas políticas e o bolso de parlamentares e aproveitadores foram irrigados com o dinheiro sujo da corrupção. Todos os implicados, alguns já condenados pela Justiça, mostram uma máscara de candura que esconde uma face perversa, com a qual escarnecem de toda a Nação, incluindo aqueles que, em sua santa ignorância, acreditam neles. Percebe-se, em tudo isso — e por causa dos acontecimentos dos últimos tempos, onde a maioria da população não crê na inocência daqueles que fazem da vida pública um caminho para fraudes e roubalheira — que o brasileiro não aceita mais este tipo de situação, principalmente depois das evidências do Mensalão, que colocou nomes de proa da política nacional no banco dos réus e, depois disso, na cadeia; e agora, com os fatos revelados pelo Petrolão.
 
Diante das denúncias cada vez mais consistentes que podem atingir em cheio o ex-presidente Lula e a atual ocupante do cargo, Dilma Rousseff (PT), praticamente desapareceu das redes sociais quem se disponha a fazer a defesa dos detidos, dos investigados, dos condenados pela Lava Jato, principalmente figuras como José Dirceu e João Vaccari. Nem o próprio PT está colocando muita fé na defesa de quem, como demonstra o processo conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro, criou um esquema para não apenas encher os cofres de seu partido mas também para benefício pessoal. Hoje, aqueles que acreditaram na aura de pobre do ex-ministro e doaram dinheiro para que ele pagasse uma multa de quase R$ 1 milhão determinada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), devem estar com cara de tacho, como se diz popularmente por aí.
 
Embora Dirceu (e outros petistas condenados, como José Genoino e João Paulo Cunha) proclamasse aos quatro ventos não ter recursos para quitar a dívida, vê-se hoje, por causa da Lava Jato, que ele tem um patrimônio bem robusto. Até a reforma de uma mansão que ele possui em Vinhedo (Interior de SP), orçada em R$ 1,3 milhão, foi bancada por dinheiro de propina, além de ter recursos de R$ 20 milhões bloqueados pela Justiça. Isso posto, fez de bobos todos os que contribuíram para o pagamento da multa, se é que ela não foi inflada também pelo dinheiro da roubalheira.
 
Um verdadeiro escárnio patrocinado por quem, tendo começado como guerrilheiro, escondeu-se depois no Paraná sob nome falso por anos a fio durante os governos militares e, com a anistia, mostrou-se ao País, participou da criação do PT, foi deputado e ministro. Uma história política inegavelmente rica, que foi enlameada e estará para sempre associada à criação do maior esquema de corrupção do Brasil. A volúpia pelo poder talvez seja muito mais que ambição; é uma doença que cega.
 
 
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