Uma vida de amor


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Altina Saturi da Silva trabalhou  na Santa Casa por 26 anos
Altina Saturi da Silva trabalhou na Santa Casa por 26 anos
Por trás de um olhar sereno e sorriso fácil, existe uma história de muitas lutas e conquistas. A enfermeira aposentada Altina Saturi da Silva, que completou 92 anos na última terça-feira, 4 de agosto, escreveu uma linda história de superação, amor e dedicação ao próximo.
 
Com centenas de partos no currículo, incluindo alguns complicados, a francana que começou por acaso na profissão assume que tinha pulso firme quando era necessário e se emociona ao contar detalhes de uma trajetória que marcou milhares de francanos.
 
Com os olhos marejados, a enfermeira diz acreditar ser Deus o responsável pela sua entrada na enfermagem. Com apenas 28 anos, separada e com três filhos, Altina voltou para a casa dos pais, em uma fazenda próxima a Franca e começou a trabalhar na roça. “Era um trabalho muito sofrido, uma vida muito difícil. Depois que me separei e voltei para Franca, comecei a trabalhar na roça com meus pais, mas aquilo não era o que eu queria. Um dia fui para a cidade, encontrei uma amiga e perguntei se ela não sabia de algum trabalho. Foi assim que a Santa Casa de Franca entrou na minha vida”, conta.
 
Inicialmente contratada como cozinheira, a enfermeira conta que pouco tempo depois de começar a trabalhar no hospital foi convidada para entrar para a equipe de enfermagem. “Comecei na enfermaria sem qualquer experiência. No início era bem difícil, mas Deus me deu muita força e enfrentei as dificuldades com todo o amor possível”, disse.
 
Aprendendo a enfermagem na prática, ela disse que começou a acompanhar os médicos durante os partos e em pouco tempo já realizava os procedimentos, quando necessário, sozinha. “Eu trabalhei com profissionais maravilhosos. Foi um grande aprendizado e depois de alguns anos passei a realizar muitos partos. Muitas vezes, recém-formados estavam de plantão e acabavam deixando sob a minha responsabilidade trazer os bebês ao mundo”, afirma.
 
Trajetória
Entre 1951 e 1977, a enfermeira trabalhou na Santa Casa, de onde só saiu quando se aposentou. Dos anos em que trabalhou no hospital, 14 foram dedicados apenas a maternidade e no período noturno. Foram centenas de nascimentos e muitos ensinamentos distribuídos às mamães, principalmente as de primeira viagem. “Muitas não sabiam como amamentar ou segurar os bebês e era um prazer poder ensinar”, disse.
 
Em meio ao aprendizado e todas as conquistas, Altina relata o sofrimento de ficar separada dos filhos nos primeiros anos de enfermagem. No período, quando os filhos ficavam com a sua mãe, ela acabava vendo as crianças a cada quinze dias.
 
Além dos três filhos biológicos, Altina tem “um de coração”, nove netos e quatro bisnetos. A enfermeira acompanhou o nascimento de todos, mas não fez o parto de nenhum. “Eu estava presente na sala para o nascimento de todos os meus netos e bisnetos, mas não tive coragem de fazer o parto. A minha única filha queria que eu realizasse o parto dos meus netos, mas não quis. Acompanhei, mas não realizei”, disse.
 
É da família, aliás, que ela diz ter o maior orgulho. “Tudo o que conquistei nesses anos, sem exceção, foi para eles. Faço questão de contar minha história, as dificuldades e as alegrias, para que sirva para mostrar o quanto eu batalhei e venci”, disse.
 
Inspiração
Da família, a filha seguiu os passos de Altina e se formou em enfermagem e agora um neto estuda medicina. Aposentada desde 1977, a enfermeira continua trabalhando como voluntária. Altina confecciona enxoval para doar a recém-nascidos das mães atendidas pela Paróquia Santo Antônio e também faz peças para o Hospital do Câncer e Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). “Mesmo aposentada o meu desejo era continuar a contribuir com as crianças. Mesmo agora, não podendo ir todas as semanas até a paróquia, continuo fazendo as peças que são doadas para os mais carentes”, disse.

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