Para se ter uma ideia de grandiosidade é preciso números, às vezes dizer que é grande, não é o bastante. Assim, em 1 milhão de metros quadrados, com estimativa de 22 milhões de visitantes de todo o mundo, vai se desenvolvendo a Expo Milão, que se iniciou em 1º de maio e vai até final de outubro. Essa feira não tem uma definição apenas porque ela pretende ter de tudo. Mas a comida, a nutrição vem acima da cultura e as soluções sustentáveis permeiam tudo isso. Falando assim parece que a exposição é de Milão, mas na verdade a exposição está em Milão. Trata-se de uma exposição universal, que teve a sua primeira edição em Londres em 1851. Ela corre o mundo e o seu objetivo - daí possa ficar mais claro - é divulgar os novos avanços da humanidade.
“Nutrir o planeta, energia para a vida” é o lema dessa exposição que se repete de cinco em cinco anos. É interessante fazer um paralelo com a primeira: “A grande exposição dos trabalhos da indústria de todas as nações”. Hoje, mais humanizada, fica clara a busca pela inovação que tenha a sustentabilidade do planeta como referência. Não obstante, os organizadores, em 1851, diziam que o objetivo da exposição seria “a reunião dos homens das artes, ciências e comércio para a discussão e promoção dos objetivos para os quais as nações civilizadas existem”. Simplesmente amei esse toque filosófico, bem ao gosto da época...
O Brasil mostra a sua cara desde a exposição de 1862 - e agora em Milão ocupa um pavilhão de 4 mil metros, e o nosso lema é “Alimentando o mundo com soluções”. A ênfase foi dada na tecnologia que possibilita aumentar a produção de alimentos, claro, sem se esquecer das palavrinhas: sustentável, suficiente e saudável. No entanto, o vídeo institucional não deixa dúvida das intenções: o agronegócio aparece de bom moço, a grande produção de milho e soja são as vedetes, e a detenção de grandes produtores de frutas no semiárido são para colorir a grande monocultura do agronegócio.
Mas o Pavilhão Brasileiro é belíssimo. Traz a metáfora da rede. Os arquitetos selecionados para o projeto quiseram passar a noção de fluidez, maleabilidade e conforto. Embora o projeto esteja orçado em R$ 66 milhões, diz-se, que as peças serão reaproveitadas.
E se a produção de alimentos é a questão central, a gastronomia brasileira está representada por ingredientes que alimentam a alma do brasileiro. Acho que não dá para criticar as escolhas, imagino quantos ficaram insatisfeitos. Além disso, é unânime a conclusão de que a gastronomia brasileira está em construção, portanto, não seria demais dizer que os ingredientes são só tijolos nessa obra. Assim, estamos lá representados pelo palmito, pela cachaça, feijoada, banana, cabotiá, camarão, macarrão, soja, castanha do Pará. As surpresas são os chocolates do Amazonas e orgânicos.
Na verdade, quando comecei o assunto, queria mesmo era falar de atitudes brasileiras na Expo Milão, acabou que não deu. Por isso, voltarei ao assunto.
DICA DA SEMANA
Atemoia
É já tempo de atemoia, a estação vai até novembro. O preço não é tão atrativo, mas é uma fruta considerada remédio, pois combate prisão de ventre, é rica em potássio e ajuda na regulagem da pressão arterial. Normalmente a olhamos com desconfiança devido a seu aspecto rude e também pela cor. Comida verde não inspira muita confiança... Em verdade essa fruta não foi nada explorada pela culinária. O que melhor fazemos é comê-la tal qual fruta, sem a casca que não é venenosa mas tem sabor estranho. Outro ponto positivo é a grande quantidade de carboidratos da polpa, portanto, um energético naturalíssimo.
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