Richard Milhous Nixon (1913 - 1994), o 37º presidente dos Estados Unidos (1969-1974), renunciou ao cargo em 9 de agosto de 1974, em virtude do escândalo Watergate, pouco antes da votação pelo Congresso da cassação de seu mandato — o impeachment. Em toda história daquele país, foi o único. Numa famosa entrevista (retratada pelo cinema no filme Frost x Nixon), o então ex-presidente estarreceu o seu entrevistador ao afirmar que o posto de chefe da Nação permite tudo, mesmo que seja fora da lei. Ele dizia que não era criminoso porque as ações que o levaram à renúncia ocorreram quando ele estava investido do cargo de presidente. Atualmente, Dilma Rousseff (PT), em seus discursos, deixa claro que a crise econômica, política e institucional que atingiram o Brasil não podem ser colocadas em sua conta e garante: ‘voto é a fonte da minha legitimidade e ninguém vai tirar essa legitimidade que o voto me deu’.
O que fica evidente, principalmente depois do programa do Partido dos Trabalhadores na noite de quinta-feira (que provocou panelaços por todo o País), é que Dilma (assim como fez Nixon em 1974) acredita piamente que o posto de presidente da República lhe permite agir como bem entende, mesmo que grande parte de seus aliados e auxiliares esteja envolvida com negócios escusos. Ela — assim como o seu partido — ainda não admite que os escândalos descobertos pela operação Lava Jato atingem o cerne do governo federal, desembocando na situação que vemos hoje. O desvio de dinheiro dos cofres públicos — até agora descoberto na Petrobras, na Eletrobrás e que pode chegar a outras autarquias e ministérios — sonega ao brasileiro serviços públicos de qualidade.
O que Dilma e seus defensores precisam entender é que a imprensa e muito menos a oposição criaram o caos político e econômico que o País vive. Tudo decorre de uma política econômica desencontrada e da corrupção que corrói os cofres de empresas públicas para a manutenção de um projeto de poder traçado ainda no primeiro mandato do ex-presidente Lula, treze anos atrás. Caso as investigações da Lava Jato comprovem o envolvimento dos aliados, amigos e auxiliares da presidente, ela também pode ser implicada e sofrer as sanções que a lei determina. Se não participou diretamente das fraudes, pelo menos pecou — e ainda peca — pela omissão. Os votos que recebeu para se manter no cargo não podem ser usados como álibi diante das falcatruas. O brasileiro já está cansado de discursos e promessas, quer mesmo é ver o País sair do buraco, seja com quem for na presidência.
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