Realidade contraria discurso de Temer


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O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), transformado nos últimos tempos no principal articulador político do governo de Dilma Rousseff (PT), um dia depois de fazer apelo ao País pela união para superar a crise econômica e política, voltou a defender ontem que é preciso continuar o diálogo com o Congresso Nacional, cuja pauta de votações inclui medidas que aumentam os gastos públicos. O discurso, onde Temer coloca os interesses do Brasil acima de qualquer partido político, é mais uma tentativa do Planalto em resolver a crise econômica que já deixa o País em plena recessão. Mas o que se vê, na prática, é que não há ações concretas no sentido de reduzir o peso do ajuste sobre o cidadão comum, pois os Poderes Executivo e Legislativo ainda não se conscientizaram do buraco em que estamos metidos.
 
Quando se fala em união e esforço, governos e legisladores não demonstram qualquer intenção de mudar o próprio “status quo”, mesmo diante dos índices que mostram desemprego elevado, inflação que começa a galopar e números frustrantes no crescimento econômico e na produção. Quem ainda mantém seu emprego tem sentido desde o começo do ano o descontrole no próprio orçamento: preços administrados cresceram de forma assustadora, enquanto a inflação tem impedido a estabilidade no preço de produtos e serviços. Tudo isso o brasileiro sofre na pele, mas aparentemente administradores públicos e legisladores ignoram o drama, mantendo para si benefícios que não atingem quem trabalha diariamente e economiza para não engrossar ainda mais os crescentes índices de inadimplência.
 
Desta forma, entende-se que a população não acredita no que a classe política — tanto aliados quanto opositores do governo — prega. Com uma máquina administrativa inchada, o brasileiro não suporta mais ver o dinheiro de seus impostos sendo usado sem qualquer controle ou responsabilidade, sugado por uma corrupção endêmica que uma série de operações da Polícia e da Justiça Federal está descobrindo. A presidente Dilma promete reduzir o número de ministérios, mas enquanto não tomar uma providência efetiva para reduzir o peso do Estado nos cofres públicos será impossível reverter uma situação criada pela condução errática da nossa economia. Ao pedir união, Michel Temer esquece-se de exigir dos próprios comandados (ele é a principal voz do PMDB) um ajuste em seus vencimentos e benefícios, o que poderia criar um efeito mais efetivo do que um discurso que já não sensibiliza os mais afetados pela crise. A hora é de ação e depende apenas dos políticos que ocupam cargos eletivos para uma virada histórica, que beneficiaria todos nós.
 
 
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