Oito meses após matar o próprio pai a facadas no meio da rua, no Jardim Aeroporto III, Robson dos Santos Andrade, 28, foi levado a julgamento e condenado ontem. A pena inicial foi fixada em 13 anos de reclusão, mas tendo em vista o reconhecimento pelos jurados da semi-imputabilidade do réu, houve a redução em um terço, tornando a condenação definitiva em 8 anos e 8 meses. O cumprimento será em regime fechado.
O crime aconteceu no fim da manhã do dia 11 de dezembro, uma quinta-feira, data em que Robson faz aniversário. O pedreiro Luiz Carlos de Andrade, 61, foi esfaqueado pelo filho na rua Manoel Silva Pauli, a poucos metros da casa da família. A vítima levou pelo menos oito facadas e morreu antes da chegada do socorro. O autor foi preso nas proximidades minutos depois.
Familiares disseram que Robson estava consumindo maconha, crack e cocaína ininterruptamente há quatro dias. No dia 11, voltou a consumir drogas e a beber para comemorar o aniversário. Pouco antes de matar, o acusado já tinha dado uma paulada na cabeça do pai. Segundo depoimento da mãe, o filho teria dito “Velho safado, sua hora está chegando”.
Após ser agredido, Luiz Carlos saiu de casa dizendo que iria ao bar até o filho se acalmar, mas não teve tempo de chegar ao destino. Foi alcançado e morto no meio da rua. Robson foi retirado pela polícia às pressas do local para não ser linchado. Ele disse ao Comércio que matou porque havia sido agredido. “Se ele vier bater em mim de novo, é isto que vai acontecer.”
Durante a fase de processo, Robson foi examinado por um perito psiquiatra que atestou que ele estava com a capacidade mental preservada, mas com prejuízo por causa da mistura que fez de drogas e álcool. A combinação teria causado a liberação de sua agressividade, que é mais facilmente dirigida às pessoas que são próximas.
O advogado José Wanderlei Faleiros fez uma rápida defesa no Tribunal do Júri. Disse que o cliente não tinha consciência nenhuma do que fez e pleiteou que Robson fosse internado para tratamento. “Ele estava completamente louco. Não matou por maldade e, sim, por perturbação mental. Por isso, deve ser absolvido com a aplicação de medida de segurança.”
Os jurados, no entanto, decidiram condená-lo, mas levaram em consideração a semi-imputabilidade na hora do crime. “Embora não estivesse privado de sua consciência e da razão das coisas, Robson não estava totalmente equilibrado psicologicamente. Por conta disso, a pena foi reduzida de 13 para 8 anos após o corpo de jurados admitir a existência deste fato”, disse o promotor criminal Odilon Nery Comodaro.
A mãe do assassino e mulher da vítima estava no plenário com familiares e chorou ao ouvir o juiz Paulo Sérgio Jorge Filho anunciar a sentença. “É muito pesaroso atuar num caso desses. O uso de drogas causou transtornos e virou a vida da família de cabeça para baixo. Infelizmente, as consequências são muito trágicas. Não há outra solução que não condenar. O crime foi brutal”, concluiu o promotor.
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