Não existe trabalho degradante é essa é uma verdade praticamente absoluta. Todo trabalho dignifica quem o executa, seja ele qual for. O que degrada, humilha e envergonha uma pessoa é ela ter potencial, energia, habilidade e não encontrar qualquer oportunidade para utilizar esse potencial, essa energia e essa habilidade.
Das tragédias modernas, agravadas nos últimos meses pela recessão que tomou conta do país — empresas estão fechando suas portas ou reduzindo drasticamente seus quadros de pessoas — nenhuma é mais triste e mais desumana do que a do desemprego.
E desemprego, gostemos ou não, cresce assustadoramente em todos os rincões deste nosso imenso país. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego subiu de 12,9% em maio para 13,2% em junho.
Os dados são do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). O número de desempregados em junho, apenas na região metropolitana de São Paulo, foi estimado em 1,467 milhões de pessoas, 32 mil a mais dos 1,435 registrados em maio.
No Rio de Janeiro, segundo levantamento da CDL (Câmara de Diretores Lojistas), 33 dos 60 estabelecimentos comerciais da Rua da Carioca — um dos mais tradicionais redutos comerciais da cidade — encerraram atividades. Entre janeiro e maio deste ano mais de 1.280 estabelecimentos comerciais cariocas fecharam suas portas. No Estado, foram extintas mais de 3.290 empresas.
O desemprego, e eis outro dado desalentador, atinge desde profissionais extremamente qualificados até quem não tenha qualificação nenhuma; desde doutores com mestrado até analfabetos.
É uma multidão crescente querendo trabalhar, podendo trabalhar e, no entanto, não encontra oportunidades para exercitar suas competências.
Até quando persistirá essa situação sobre o cidadão honesto, cumpridor de suas obrigações, ficar fora do mercado com sacrifício do próprio bem estar e até mesmo da sobrevivência de sua família?
Welson Gasparini
Deputado estadual (PSDB), ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP)
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