Francanos ainda esperam explicações


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A cidade de Franca segue em compasso de espera, aguardando um pronunciamento oficial do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) a respeito da atuação de falsos médicos na saúde pública de Franca, colocando em risco a vida de milhares de pessoas. Um dia depois de usar de um deboche ignominioso ao ser interpelado por uma repórter do Grupo GCN, o chefe do Executivo francano concedeu entrevistas a emissoras de TV de Franca e região admitindo que pelo menos quatro falsos médicos atenderam na rede pública local. Ao se manifestar, o prefeito disse, sem dar qualquer garantia, de que a ação de falsários “não causou qualquer prejuízo” aos pacientes atendidos. Em razão do retrospecto na área, é algo que não pode ser considerado. A Prefeitura precisa explicar, com urgência, como é que permitiu a atuação de falsos profissionais na cidade e a razão da manutenção do ICV (Instituto Ciência e Vida) na gerência do atendimento nos Prontos-socorros municipais mesmo diante deste escândalo — mais um — que envolve a administração municipal.
 
É evidente a falta de comprometimento e de responsabilidade de Alexandre Ferreira, que busca se descolar desta nova ilegalidade que colocou em risco a integridade de milhares de francanos que diariamente buscam o serviço público de saúde. Admitir que quatro falsos médicos atuaram em Franca não basta. O prefeito precisa, antes de tudo, agir com transparência e exigir lisura do ICV ou qualquer outra OS (Organização Social) que venha a contratar. Ele não citou a suspeita de que um dos “médicos” atendeu uma criança que morreu de meningite e tudo o que cerca o fato. Muito menos explicou como é que a Prefeitura pagou valores superfaturados ao mesmo instituto por horas extras de médicos — inclusive Pablo Mussolin, preso na região de Sorocaba, que teria ‘trabalhado’ em plantões de 24 horas em 31 dias seguidos e recebeu mais de R$ 80 mil.
 
Alexandre Ferreira compactua com a ilegalidade ao permitir que os francanos continuem pagando, com os seus impostos, os valores exorbitantes cobrados pelo ICV e o superfaturamento nas obras de creches, alvo de processo na Justiça. Há muito o prefeito mostra que não se importa com o bem estar do francano e faz ouvidos moucos às denúncias, investigações e irregularidades que rondam a sua administração. Franca continua esperando respostas que, diante do que vem acontecendo há mais de dois anos, dificilmente virão. De uma administração onde pelo menos uma dezena de mortes relacionadas ao atendimento médico ainda não foram esclarecidas, não se pode esperar muito. Somente a Justiça será capaz de fazer Alexandre e seus auxiliares aclararem os fatos e responsabilizá-los por tudo.
 
 
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