O discurso marcante de Flávia Astun, pedindo aos vereadores que parem de brincar com o sentimento de duas famílias que não pediram para serem alvo das brigas políticas que dominam a Câmara, repercutiu. A matéria sobre a lição que ela deu aos “nobres” parlamentares foi a mais lida do Portal GCN, com mais de 10 mil visualizações. O assunto também bombou nas redes sociais. Doeu mais do que um tapa na cara.
Flávia é uma das filhas do professor Michel Astun, morto em 2013. Valéria Marson (PSDB) propôs que o nome dele fosse dado ao novo prédio da Secretaria de Educação. Projetos do tipo não costumam dar polêmica, mas o prefeito, que é rompido com Valéria, teve o capricho de mandar outra proposta, uma semana depois, querendo que o nome fosse do também professor Ivan Silva Cunha.
Os projetos foram levados à votação pela primeira vez no dia 2 de junho. Os vereadores aliados do prefeito passaram a fazer sucessivos adiamentos com o pretexto de buscarem uma alternativa que, na verdade, nunca buscaram. As propostas voltaram ao plenário anteontem e, claro, eles pediram novo adiamento, o que prolongaria por mais um mês as discussões.
Foi quando Flávia foi à tribuna e acabou com os vereadores. “A briga de vocês, usando o nome do meu pai, usando o nome do Ivan Cunha, não é para defender o que o povo pensa. Querem adiar para quê? Para expor mais o nome dos nossos pais, para expor mais o nosso sofrimento? O que vocês acham que somos?” “Nessa história, não existe ganhador. Todos somos perdedores, mas ninguém é mais perdedor do que vocês mesmos. Vocês foram eleitos porque nós os colocamos aqui, mas vocês não estão escutando a nossa voz”, completou.
Os vereadores ouviram calados. Se tivessem o mínimo de respeito pelos eleitores e a coragem de descumprir as ordens do prefeito, deveriam aproveitar o tapa na cara que levaram para refletir sobre suas atitudes. Ainda dá tempo de sair da bolha que estão trancados. A população está com o saco cheio dos políticos, e Flávia foi cumprimentada por traduzir com exatidão o sentimento do povo. “Você disse tudo o que a gente tem vontade de falar para eles”, foi o comentário que ela mais ouviu ontem.
Agora eu entendi: Entrevistado pela TV Record, ontem, Alexandre Ferreira disse que os médicos falsos que atuavam em Franca apresentaram documentos e carteira do “CRMV” que, para quem não sabe, é o Conselho Regional de Medicina Veterinária. Tá explicado!
Ideias geniais: Já que a coisa está feia, vamos dar risada. O Estadão publicou em seu portal matéria sobre seis projetos de lei inusitados apresentados por vereadores pelo Brasil afora. Como não poderia deixar de ser, Franca faz parte do seleto grupo com o “Mês do Concurso Miss Franca”, de autoria de Valéria Marson. Mas, tem coisa pior na lista, como a proibição de instalar chips em seres humanos, o dia da bocha e a proibição de tirar selfie em banheiros públicos. Sugestão para Otávio Pinheiro: em Coronel Fabriciano (MG), existe o dia da Esposa do Pastor. O Estadão não deu, mas em Campinas querem criar o dia “É Gol da Alemanha”. Juro, é sério!
Cassino: O vereador Daniel Radaeli (PMDB) embarcará para os Estados Unidos hoje. Vai comemorar o aniversário de 50 anos ao lado da mulher em Las Vegas. Diferente de um coleguinha, avisou a Câmara que se ausentará da próxima sessão e pediu que a falta seja descontada de seu salário.
Wireless: José Dirceu entrou na cadeia e o Wi-Fi conectou automaticamente.
Edson Arantes
jornalista - edson@comerciodafranca.com.br
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