Li Da Sedução de Jean Baudrillard. São 207 páginas de conteúdo denso, complexo, duro, mas, ao mesmo tempo, instigante, reflexivo, capaz de quebrar paradigmas.
Se a intenção dele era esboroar conceitos prévios, conseguiu. O que eu imaginava sobre sedução caiu por terra. Fato é que sedução sempre foi vista como ‘estratégia do diabo’, ‘do mal’, ‘artifício do mundo’. Nunca, ‘da ordem da natureza ou da energia, mas do artifício, do signo e do ritual’.
Durante o período em que lia, conversei com uma pessoa sobre relacionamento extraconjugal que, em nossa sociedade, em razão da moral, leis e costumes, descoberto, é perturbador, justamente pelo valor que se dá ao sexo.
Perde-se o foco, dá-se espaço à vitimização e se esquece de relacionamentos mais íntimos e profundos que a relação sexual propriamente dita. Analisada friamente, não há relação sexual por não existir troca, mas atos de egoísmo, excentricidade e narcisismo, como dizia Lacan. Usa-se dela para satisfação do próprio prazer e não para dar prazer ao outro.
Forte e impactante é o pensamento de Baudrillard sobre a ‘sedutora’: ‘O que eu quero não é te amar, te querer, nem mesmo te agradar: é te seduzir; e não importa que me agrades, mas que sejas seduzido. Eu só tenho atrativos e tu tens encantos. A vida tem seus atrativos, mas a morte tem seus encantos’.
Na sedução há apenas uma finalidade: seduzir. Conheço quem teve experiências extraconjugais e, passado o tempo se desiludiram, tal como no canto da sereia que leva o marinheiro à morte.
Na sedução há só aparência, não há verdade, a não ser a do engodo. Ao descobrir uma traição, antes de acabar com tudo é prudente verificar a existência, ou não, da sedução, lembrar que todo ser humano é seduzível, e que na sedução — pontifícia Baudrillard — não existe amor, mas estratégia, ritualidade, artifícios e ausência de verdade.
Analise. Se há sedução há componente importante para decidir o futuro do relacionamento existente.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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