A preocupação em torno da comprovação de mais um falso médico atendendo no Pronto-socorro de Franca uniu oposição e situação na Câmara Municipal de Franca. Isso, pelo menos, quando o assunto é cobrar explicações e posicionamento do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) quanto ao contrato milionário mantido pela Prefeitura e o ICV (Instituto Ciência da Vida), responsável pela contratação dos dois falsários que atuaram na cidade. A denúncia sobre o segundo falsário foi feita na edição do último domingo do Comércio da Franca.
Nessa segunda-feira, o vereador Márcio do Flórida (PT) passou o dia conversando com os colegas de plenário para angariar assinaturas para o seu requerimento que pede o rompimento do contrato da Prefeitura com o ICV. “Não estamos mais falando de especulações. São fatos graves e comprovados. Dois falsos médicos foram identificados pela polícia. Esse instituto é alvo de uma investigação criminal. Não há a menor condição de continuar prestando serviços à população de Franca, ainda mais na área da saúde”, disse.
Na semana passada, Márcio já havia apoiado os requerimentos apresentados por seus colegas Valéria Marson (PSDB) e Daniel Radaeli (PMDB) pedindo cópias dos documentos relativos aos contratos e relatórios com as providências tomadas pela Prefeitura no caso do falso médico Pablo Mussolim.
O presidente da Câmara e membro da base aliada, Marco Garcia (PPS), também deve apresentar um requerimento nesta terça. Desta vez, para pedir ao prefeito que apresente as cópias da documentação de todos os médicos que prestaram e ainda prestam serviço ao ICV em Franca. “Com mais essa denúncia de um outro falso médico, temos que resguardar a qualidade do serviço prestado à população. Precisamos ter certeza de que os profissionais que estão atendendo de fato estão qualificados para tal e a única forma de conseguirmos comprovar isso é conferindo a documentação (diploma e registro no Cremesp) de cada um deles.”
Nos bastidores, os vereadores ainda articulam e discutem a apresentação de um pedido de abertura de CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar de forma mais profunda o contrato com o ICV e a atuação dos profissionais ligados a este instituto em Franca.
Novo caso
No último domingo, o Comércio da Franca denunciou a existência de mais um falso médico atuando no Pronto-socorro de Franca. O falsário usava o nome e o registro de um médico do Ceará e prestou serviços como pediatra de junho a outubro do ano passado, tendo inclusive atendido um menino de um ano que acabou morrendo, vítima de meningite. A família está processando a Prefeitura por negligência e descaso.
ICV
Ontem, o ICV enviou uma nota ao Comércio informando que ainda não foi notificado pela polícia sobre a existência de mais um falsário agindo em Franca e ressaltou que continua colaborando com as investigações.
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