Alexandre Ferreira (PSDB) é prefeito de Franca há pouco mais de dois anos. Com quase a metade do mandato ainda para ser cumprida, já coleciona um recorde negativo: enfrentou três ameaças de processos na Câmara. O quarto pedido de comissão processante, por suspeita de ter favorecido amigos que doaram para sua campanha eleitoral, será votado na sessão desta terça-feira, 4. No entanto, as investigações, que poderiam culminar com a cassação do homem “preparado” por Sidnei Rocha para administrar a cidade, foram barradas pelos vereadores aliados.
Não demorou para que o prefeito fizesse manobras para favorecer amigos. Em abril de 2013, apenas quatro meses após assumir, Alexandre assinou contrato na surdina com o dono da São José em que perdoou dívidas e concedeu novos prazos para a empresa cumprir obrigações que já deveriam estar em vigor. A CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta para apurar o caso acusou o prefeito de omissão, favorecimento e crime contra a lei de licitações. Mesmo assim, os vereadores governistas impediram a abertura de uma comissão processante.
Em agosto de 2014, a CEI que investigou irregularidades no atendimento da Rede Municipal de Saúde entregou o relatório final com 13 volumes e mais de 2.380 folhas com o depoimento de 42 testemunhas, prontuários de pacientes, holerites de médicos e documentos. Os três vereadores que formavam a comissão, Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), responsabilizam o prefeito e a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, pela crise na pasta e pediram a abertura de um processo de cassação. Em segundos e sem qualquer discussão ou análise, o pedido foi barrado.
Em março deste ano, o promotor Paulo Borges acusou Alexandre de participação em um esquema de desvio de recursos públicos na construção de creches. Ao todo, o montante desviado ultrapassaria a casa dos R$ 565 mil. Mesmo com o prefeito se tornando réu no processo judicial, a Câmara ignorou acusações, brindou Alexandre e, pela terceira vez, impediu a abertura de comissão processante.
A próxima
Nesta terça-feira, Alexandre enfrentará a quarta ameaça de processo. Ele é acusado pelo Ministério Público de ignorar parecer jurídico e solicitar licença ambiental ilegal para a Amcoa (Associação dos Manufatores de Couros e Afins) em nome do município para beneficiar os curtumes da cidade em troca de doações de campanhas. A exemplo das três vezes anteriores, os vereadores aliados do prefeito devem barrar a investigação. A comissão processante, que depende de dez votos para ser instalada, dificilmente, terá mais do que quatro. “Acho muito difícil um comissão processante contra o prefeito ser aprovada. A base está dando sustentação. Estamos colocando uma redoma no prefeito? Sim. Em outubro do ano que vem, terá eleição. Aí, vai ser o teste final”, disse o presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), em entrevista ao programa Hora da Verdade na TV, que será exibido neste domingo, às 19 horas, na TV Franca, canal 23 da NET. “Respeito a opinião dos vereadores da base de apoio ao prefeito, mas não concordo. A investigação não é para condenar ninguém e, sim, para apurar a realidade dos fatos. Imagina se a polícia fosse impedida de abrir investigação. Não temo como. A população quer saber se teve irregularidade ou não”, disse o vereador Daniel Radaeli.
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