Números contrariam discurso de Dilma


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Quando garante que a situação do Brasil é reflexo da crise global, a presidente Dilma Rousseff (PT) contraria os números. Na contramão da maioria das economias do mundo, o Brasil amargará recessão este ano. De acordo com um estudo da EIU (Economist Intelligence Unit), a economia brasileira deve recuar 1,2% em 2015, uma previsão até mesmo otimista em relação à do próprio governo, que prevê queda de 1,5% do PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto o governo, por muito tempo, atribuiu a culpa da crise à conjuntura internacional, o levantamento mostra que, ao lado do Brasil, apenas outros quatro países estão na pior: Argentina (-0,7%), Ucrânia (-4,9%), Venezuela (-3,7%) e Rússia (-4%). A estimativa da consultoria engloba 56 países de todos os continentes.
 
A ideia de que a desaceleração econômica mundial é mais nociva aos emergentes também se mostra errônea quando confrontada com os números. Brasil e Rússia definham porque seus governantes usaram a ideologia como principal ferramenta de gestão. Já outros membros dos Brics, como China, Índia e África do Sul, devem avançar 6,9%, 7,9%, e 2,1%, respectivamente. Até mesmo a Grécia, em situação fiscal caótica, crescerá mais de 1% este ano. O desgoverno na gestão econômica do Brasil, admitido pela presidente Dilma na reunião com os governadores, anteontem, culminou em medidas onde se cobra um sacrifício da população brasileira, que vê reduzidas a verbas para investimento, educação e saúde, as quais já não são abundantes. 
 
A prova é o péssimo serviço prestado nos postos de saúde e hospitais públicos do país, além de contarmos com um ensino de qualidade inferior a outros países do mundo, ao mesmo tempo em que as obras de infraestrutura, quando saem, custam muito acima das estimativas oficiais, alimentando esquemas corruptos, como os descobertos na Petrobras e, agora, na Eletronuclear.
 
Não se exigiu, no âmbito dos Poderes Executivo e Legislativo, o mesmo sacrifício que está criando índices recordes de desemprego decorrentes da retração da produção, o que acaba atingindo toda a cadeia econômica, causando ainda mais instabilidade. Enquanto não se exigir de todos a mesma atitude altruísta que se cobra de empresários e trabalhadores, não será possível reverter este quadro sombrio. Dilma Rousseff já disse que 2015 é um ano perdido, mas não há grande otimismo quanto aos anos subsequentes, uma vez que não há contrapartida do governo federal e do Congresso Nacional em cortar custos, reduzir vencimentos ou mesmo conter a corrupção que sangra os cofres públicos. Somente isso, aliado ao que já se fez até agora, será capaz de recolocar o Brasil nos trilhos.
 
 
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