Não se desconhece a importância do poder Legislativo, seja ele federal, estadual ou municipal, para o pleno aperfeiçoamento da democracia.
Centralização e concentração de poder nas mãos do Executivo exige cada vez mais a participação concreta e eficiente do poder Legislativo, visando uma fiscalização efetiva dos atos praticados pelos administradores públicos.
Aliás, recentes atos ocorridos aqui e acolá atestam a necessidade dessa fiscalização.
Porém — e infelizmente — em nossa cidade, ao ver da população mais atenta, nossos vereadores gastam mais o seu tempo com contendas e desentendimentos internos e pessoais do que com proposições e ações em benefício do povo. Aliás, chega-se ao absurdo de desentendimentos com a própria população, que é a razão da existência do Legislativo.
Diariamente a mídia local registra a ocorrência de desavenças entre vereadores, algumas graves e recheados de destemperos verbais, levadas até à consideração do Conselho de Ética da entidade.
O interessante é que no cerne desses embates, quase sempre vamos encontrar a verdadeira causa do litígio: vanitas vanitatis (vaidade das vaidades).
Penso que nossos parlamentares deveriam refletir com atenção e consciência para o fato de que a verdadeira razão da existência do Legislativo — que, aliás, custa, e muito, para os cofres públicos —, não é para ser usado de palanque político ou mesmo para projeções pessoais e egoísticas, mas sim para atender da melhor forma possível as demandas da sociedade, e permanecer vigilante com as ações empreendidas pelo alcaide.
Qualquer coisa diferente de legislar e fiscalizar o poder Executivo é desviar de finalidade. A continuar este estado de coisas, fatalmente veremos a população refletir se o altíssimo custo-benefício de uma câmara de vereadores realmente compensa, ou se trata de poder dispendioso e totalmente desnecessário.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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