As delegacias de Franca têm registrado ocorrências envolvendo uma nova forma de promover golpes contra aposentados e pensionistas. Apenas na cidade, pelo menos treze pessoas já foram aos distritos alegando prejuízos financeiros que, somados, ultrapassam R$ 13 mil. A fraude teria assolado um número ainda não definido de vítimas em Franca, Santos, São Paulo, São Carlos e outras cidades da região de Ribeirão Preto.
Apesar de cada um apresentar um valor distinto de golpe, um nome comum consta nos boletins: Assap (Associação de Apoio a Aposentados, pensionistas e Servidores Públicos Federais). Trata-se de um escritório de advocacia que estava instalado até o último dia 24 (foi fechado pela Polícia Civil) no Jardim Sumaré, em Ribeirão Preto e que já teve inclusive seus bens bloqueados pela Justiça Federal.
O procedimento era simples e tinha início com cartas enviadas às vítimas com o oferecimento de serviços de revisão dos benefícios de aposentadoria e pensão. A alegação era de que os benefícios concedidos entre 1988 e 2003 poderiam ser reajustados em até 28,4% no valor mensal e que os interessados receberiam a correção dos últimos cinco anos, ultrapassando R$ 50 mil.
As pessoas deveriam entrar em contato com o escritório e eram induzidas a assinar um contrato de adesão à Assap no valor de R$ 696. Além disso, seria necessário dispor de mais R$ 400 para custos com a ação. O escritório aceitava o pagamento à vista ou em até seis vezes no cartão de crédito.
Em Franca, uma das vítimas é uma viúva de 51 anos, residente no Jardim Gabriel. Em abril, ela recebeu uma carta dos golpistas e assinou o contrato. “Eles disseram que eu teria direito a R$ 40 mil de reajuste da pensão do meu marido, já falecido. Assinei a papelada e aceitei pagar a taxa no cartão de crédito, em seis parcelas de R$ 274. Já descontaram três parcelas e, até agora, não tive notícias sobre o meu reajuste”, contou. Ao tomar ciência da possibilidade de ter caído em um golpe através da imprensa, a pensionista procurou o 5º Distrito Policial, onde registrou queixa. “Quero ao menos meu dinheiro de volta. Está me fazendo falta”, afirmou.
Na mesma situação encontra-se um aposentado de 63 anos, residente no Jardim Pinheiros I. No dia 12 de maio, ele esteve no escritório e, apesar de não conversar com nenhum advogado, assinou um contrato com atendentes, acreditando que conseguiria um reajuste de R$ 28 mil em sua aposentadoria. Na ocasião, ele teria pago R$ 1.068 pela prestação de serviços. A exemplo das demais vítimas, até a segunda-feira, dia 27, quando esteve no 5º Distrito Policial, ele não recebeu nenhuma notícia sobre eventual aumento em seu benefício.
O delegado Luís Geraldo Dias, da Delegacia de Defesa do Idoso de Ribeirão Preto, é o responsável pelo caso. Ele não precisou o número de vítimas ao Comércio, mas há indícios de que podem chegar aos milhares. À reportagem, ele disse que a quadrilha planejava abrir novas filiais do escritório. Franca e Barretos seriam os próximos alvos.
Dias também revelou não ter conhecimento de quanto os advogados arrecadaram até o momento. “Não temos ainda um número fechado, mas foram milhares de pessoas de Ribeirão Preto, Franca e toda a região que caíram no golpe. Já estamos providenciando meios para que elas possam ser ressarcidas”, disse.
Hoje, o escritório está fechado. Quatro advogados envolvidos na ação podem ter a prisão preventiva decretada pela Justiça de Ribeirão Preto e responderem por estelionato e formação de quadrilha. Milhares de pastas de processos parados, documentos, cheques e computadores foram apreendidos e serão relacionados no inquérito. As investigações ainda devem envolver servidores públicos. O delegado acredita que funcionários do INSS teriam fornecido as listas com nomes e endereços dos beneficiários da Previdência Social.
Segundo o delegado Luís Geraldo Dias, quem foi vítima deve procurar a delegacia mais próxima. Quem pagou em espécie, por enquanto, não tem como reaver o dinheiro. Mas aqueles que acertaram com cheques ou cartão devem enviar um e-mail para ddi.ribpreto @policiacivil.sp.gov.br. É necessário informar todos os dados, declarando estar ciente de que foi vítima da ação desta quadrilha, através do boletim de ocorrência número 216/2015. Posteriormente, quem caiu no golpe e procurou a delegacia deve aguardar o envio da documentação à sua operadora de cartão de crédito ou agência bancária para cancelamento do pagamento e ressarcimento.
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