Ao fim da rua Geraldo Vítor Romualdo, no Jardim Zelinda, os moradores convivem com os perigos de uma voçoroca que vem crescendo mesmo durante a estiagem. De acordo com quem vive ali, só no último mês, a depressão teria avançado pelo menos dez metros em direção às casas da região, encostando-se à cerca construída por eles para evitar acidentes.
“A cada vez que a gente vai ver, o buraco está de um jeito. Minha casa fica perto e eu tenho duas crianças. Fico com medo, porque elas brincam nesse parquinho aqui (bem próximo à voçoroca) e muitas soltam pipas, distraídas, no terreno. É muito perigoso”, disse a coladeira Viviane Marques. “Uma vez caiu um cavalinho nesse buracão, mas nós conseguimos tirar ele de lá, vivo”, completou a dona de casa Tereza de Souza Santos. Ainda de acordo com Tereza, um funcionário da Prefeitura teria observado o local, tirado fotos e prometido providências há cerca de nove meses. Mas, desde então, nada teria sido feito.
O local realmente provoca uma sensação de insegurança. Bem próximo à voçoroca - que tem em sua fenda a passagem de um córrego - observa-se um parque de madeira, cujo mato começa a dominar. Ao lado, uma grande área de terra vermelha foi transformada em campo de futebol e espaço para empinar pipas. Separando essas áreas de lazer da voçoroca, está uma cerca de arame farpado. Para ultrapassar o limite, basta abrir um colchete ou espremer-se pelas frestas. A partir desse ponto, encontra-se uma área semicultivada e uma nova cerca bem rente à encosta.
“Essa cerca vem só chegando para frente, conforme o buraco cresce”, disse o pespontador Marcos Donizete. “A gente já plantou café, bananeira e até goiabeira para ver se as plantas seguravam a terra, mas não adiantou”, contou Tereza.
Um outro problema encontrado nas proximidades da voçoroca é uma caixa d’água de concreto que, embora seca, encontra-se destampada. “O pessoal veio com as máquinas limpar e arrancou a tampa de concreto da caixa, deixando esse buraco. A gente tapou com umas tábuas, mas não resolve muita coisa... Se alguém cair é um perigo, porque é bem fundo”, disse Marcos. “O que eu acho engraçado é que em época de eleição, político lembra que a gente existe. Vem, bebe nosso café e pede nosso voto. Depois, finge que nem conhece”, reclamou Tereza.
Em nota, a assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o caso foi repassado à Secretaria de Serviços e Meio Ambiente, que deverá tomar providências. “Ela (a secretaria) fará uma vistoria mais detalhada para definir que tipo de intervenção pode ser feita de modo a conter o avanço dos estragos sem que os imóveis próximos sejam comprometidos.” Nenhum prazo para que isso ocorra foi divulgado.
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