Estão rindo na cara de todos nós


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A classe política brasileira continua insensível ao que realmente interessa: reduzir o déficit público e a cobrança da população, que vê os reajustes de preços e tarifas corroer o seu já apertado orçamento. Em alguns pontos do País, os protestos se elevam, a ponto de fazer vereadores de uma pequena cidade recuarem de um aumento irreal de salários, reduzindo os proventos daqueles que serão eleitos no ano que vem. 
 
Aqui na região, mais precisamente em São Joaquim da Barra, município de apenas 50 mil habitantes, um grupo de moradores criou um abaixo-assinado para demonstrar o seu descontentamento com os salários dos políticos eleitos para administrar e legislar pela cidade.
 
Lá, o prefeito recebe um salário superior a R$ 20 mil, o vice mais de R$ 6 mil e cada vereador tem rendimentos superiores a R$ 5 mil. Para a maioria da população, que em média tem vencimentos de R$ 1,2 mil, ver esta farra com o dinheiro público é um verdadeiro escárnio. Porém, esta insatisfação precisa ser externada não só no vizinho município, mas também por todo o País, onde administradores e legisladores cobram de todos um aperto no cinto e mantêm suas vantagens, benefícios e - em alguns casos - mutretas que lhes engordam o patrimônio.
 
Ao mesmo tempo em que o trabalhador vê a redução de alguns dos poucos benefícios trabalhistas que conseguiu ao longo da história, quem deveria dar o exemplo busca manter (e se possível aumentar) os seus ganhos.
 
Como se pode ver, não há qualquer interesse da nossa classe política em cortar na própria carne, o que reduziria as dificuldades do País, sem exigir esforços da maioria enquanto uma minoria é esfolada compulsoriamente. Um corte nos benefícios pagos a administradores e legisladores públicos, que são muitos e não contemplam o trabalhador comum, reduziria bastante o impacto das medidas fiscais que começam a sufocar o brasileiro comum. 
 
A classe política precisa se municiar de certo altruísmo para fazer valer os interesses de todo o País, pelo bem comum e não apenas de uma pequena parcela que deveria defender os interesses daqueles que lhes deram o mandato. Agindo assim, escarnecem de todos nós, mostrando o que realmente os move: tudo, menos o bem-estar do povo brasileiro, que sente na carne todo o descontrole da economia que colocou o Brasil a um passo da recessão, numa crise da qual estamos - tudo indica - muito longe de sair.
 
 
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