O bebê francano Davi Miguel Gama vence hoje uma importante etapa em sua luta por um transplante. Na tarde desta terça-feira, ele e sua mãe devem chegar ao hospital Jackson Memorial, em Miami, nos Estados Unidos. O embarque estava programado para as 5 horas da manhã de hoje, em uma UTI aérea, saindo do Aeroporto Internacional de Guarulhos. A chegada a Miami está prevista para as 16h05, horário de Brasília. O avião fará paradas em Manaus (AM) e em Curaçau, no Caribe. As informações são do Ministério da Saúde.
Este momento significa a realização de um sonho para a família do bebê de um ano e quatro meses. “Nem consegui dormir direito esses dias, é uma coisa que sonhamos e agora está virando realidade”, disse a mãe do menino, Dinea Gama.
De acordo com Dinea, que viajará na UTI junto com o bebê, eles serão acompanhados pelo médico que atendeu Davi durante sua estada no hospital de São Paulo, uma enfermeira e um cardiologista. A UTI aérea contratada pela União pertence à empresa Sete - Táxi Aéreo, de Goiânia (GO).
Segundo o gerente comercial da empresa, Jair Pinzetta, todo aparato de uma UTI tradicional foi montado dentro da aeronave de porte médio, a jato, do modelo Learjet 35. “A aeronave tem equipamentos como respirador, monitor de sinais vitais, bombas de infusão e um médico intensivista”, disse Pinzetta.
Davi Miguel está com a saúde estável e pesa atualmente 8 quilos. Ao chegar em Miami, deve ser internado no hospital, onde aguardará na fila de transplante por um doador compatível. Além do intestino, a cirurgia poderá envolver o transplante de outros órgãos, como o fígado.
O pai Jesimar Gama e o irmão de 16 anos de Davi devem viajar depois, mas ainda não definiram datas. Segundo Jesimar, o dinheiro deve vir dos 30% do dinheiro arrecadado na campanha reservados para despesas da família, mas a liberação da verba depende de autorização da Justiça. “Eu não sei o dia certo que irei viajar, ainda vou ver se o dinheiro será liberado”, disse.
A luta de Davi
Davi Miguel nasceu com uma síndrome rara no intestino, que impede a absorção de alimentos. Internado desde o quinto dia de vida, a chance de cura está em um transplante que não é feito no Brasil. Por causa da doença, toda a alimentação de Davi se dá via intravenosa. Davi seguiu internado em Franca, no Hospital Regional, até março deste ano, quando foi para o Hospital Samaritano, em São Paulo.
Desde o diagnóstico, a família do bebê luta na Justiça para que o Governo Federal banque o tratamento do menino no exterior.
Em junho deste ano, a União depositou US$ 1 milhão, que corresponde a cerca de R$ 3,2 milhões para custear o tratamento. Por decisão judicial, as doações das campanhas em prol do menino também serão usadas. As iniciativas organizadas pela família, amigos e empresas arrecadaram R$ 1,5 milhão. Um total de 70% das doações será destinado ao tratamento e 30% ficarão à disposição da família.
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