Estamos vendo, pouco a pouco, a destruição do mundo natural a nossa volta e pouco conseguimos fazer, porque, acho, a mudança, a grande mudança necessária que surtiria efeito é tão grande que não conseguimos encarar, vamos tocando, fazendo coisinhas bestas, afinal trata-se do alívio de alminhas bestas: gente, me incluo absolutamente nisso!
O aquecimento global, por exemplo, tem efeito nefasto sobre a vida, ele desequilibra o meio ambiente e seres que não sabem se defender fenecem. É o que a respeitada revista científica Science publicou recentemente: o desaparecimento das abelhas do gênero Bombus. Elas estão presentes em quase todo o mundo, são umas das maiores polinizadoras que se conhece. Elas estão sendo pesquisadas desde 1901, portanto os dados são precisos e a despeito de alguns “cientistas” minimizarem os efeitos do aquecimento global, nesse caso, não há como discordar da relação direta entre: quanto mais quente, menos abelhas se vê.
No Brasil, esse gênero de abelhas é representado pela Mamangaba, aquele abelhão lindo que parece feita de veludo negro, dá vontade de colocar a mão, o que não é recomendável, pois ela dificilmente ferroa, mas quando o faz é terrível, inclusive porque não inocula o ferrão na vítima, podendo repetir a ferroada várias vezes.
Em nosso país, vivemos uma situação pouco diversa, aqui as grandes responsáveis pela polinização de nossas matas são as abelhas sem ferrão, ou abelhas indígenas, que também vêm sofrendo e sendo dizimadas, seja pelo aquecimento global ou pelo desmatamento que acaba com seus habitats. Elas estão de tal forma ligadas ao equilíbrio ambiental que são utilizadas como marcador. A mata que possui colmeias de abelhas sem ferrão é mata equilibrada.
Não é culpa de ninguém individualmente, mas somos todos culpados no atacado, perdemos o contato com a vida de modo geral. Adorei a terminologia da escritora Márcia Tiburi: “Ontem, homens-máquinas, hoje homens-plástico”. Continuamos Iluministas no que havia de pior, enxergamos a natureza como um inimigo a ser conformado. De forma prática, o que o sumiço das abelhas acarretará? A dificuldade de cultivo, o sumiço de inúmeras espécies e o encarecimento geral dos gêneros alimentícios. Sim: (mais) esse bichinho fará uma falta danada.
DICA DA SEMANA
Salsa de abobrinha
É útil lembrar que salsa é um tipo de molho. Nós conhecemos por salsa, a salsinha. E é útil lembrar também que a salsa não é um molho abundante, mas uma mistura de ingredientes utilizada para temperar, meio como uma dança cubana.
Espaguete com salsa de abobrinha é um prato da belíssima região de Positano na Itália. E o modo de fazer, nós podemos bem imitar.
A dica é utilizar uma abobrinha que tenha menos água e menos sementes, logo, a caipira não serve. Utilize a italiana ou a menina.
Corte em rodelas finas na faca ou na mandolina, os dois modos são bem fáceis. Salgue e deixe escorrer num escorredor. Depois enxágue, seque e frite em fogo baixo numa mistura de azeite e manteiga e é só jogar por cima de um pratão de espaguete. Muito queijo e salsinha para finalizar.
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