Muita gente há que confunde mediunidade com Espiritismo, que lhe escapa ao entendimento de que não se trata de uma doutrina meramente espiritualista. É muito mais. Prática científica com consequências morais a abrigar, entre outros misteres, tanto a transcendência quanto a banalidade do espírito. Portanto, na Doutrina Espírita, mediunidade é de trato tanto mais responsável e sério.
O intercâmbio mediúnico, nos seus variados aspectos, sempre existiu, posto que todos somos espíritos, uns encarnados outros desencarnados, daí a natural possibilidade de nos comunicarmos. Foi, porém, a Doutrina Espírita, revelada por luminares espirituais, sob a codificação de Allan Kardec, que estudou os fenômenos espíritas e seus efeitos físicos e inteligentes, analisou as leis que lhes regem as causas e expôs aos interessados os respectivos benefícios e perigos.
Lamenta-se que, por descuido ou por malícia, muita gente boa, por ignorar algumas leis naturais, cometem confusão.
É o que verificamos, por exemplo, em artigo de João Pereira Coutinho, publicado no caderno ‘Ilustrada’, da Folha de S. Paulo, de 5 de maio último. Reportando-se à biblioteca de Hitler, referida no livro A biblioteca esquecida de Hitler, de Timothy W. Ryback, o articulista mistura Espiritismo com Ocultismo e diz que os livros que tratavam do assunto eram lixo puro e contribuíram para a ‘messiânica paranoia’ de Hitler.
Ora, pertinente supor que, se Hitler tivesse absorvido Kardec, teria compreendido Jesus, e jamais se disporia a transformar seus semelhantes pelas vias da violência.
O livro Os cátaros, obra prima de Hermínio C. Miranda, relata que o ditador alemão e seus sequazes entraram em contato com fenômenos mediúnicos sem conhecer-lhes os meandros, com a intenção de direcioná-los segundo seus interesses. E porque não conheciam o Espiritismo, acreditaram em quaisquer espíritos, não obtendo outro resultado senão graves danos obsessivos.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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