Atendimento na Saúde atemoriza


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Em Franca, nos últimos dois anos e meio, temos exemplos evidentes de que a população não vem sendo levada a sério pelos Poderes Executivo e Legislativo. Ambos, aparentemente, não se importam com as carências do povo, não ouvem queixas, fazem o que lhes dá na telha e apenas o que lhes oferece algum tipo de vantagem pessoal. Enfim, nada entendem do que representam a beleza e o valor do contraditório nas sociedades democráticas. Em nossa cidade, para piorar o cenário, o autoritário prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) conta com uma base de dez vereadores que praticamente lhe dão carta branca para fazer o que bem entende. Agora que se descobriu que o médico Pablo Galvão não passava de um falsário — o estelionatário Pablo Mussolin, preso em Louveira (SP) por usar o registro no CRM (Conselho Regional de Medicina) de outro profissional — a Prefeitura acrescenta mais uma irregularidade no setor, que deixa o francano temeroso quando precisa de atendimento médico. Pablo foi um dos beneficiados pelos supersalários no PS “Dr. Álvaro Azzuz”, recebendo por horas extras de 24 horas por 31 dias seguidos.
 
A questão mostra a falta de interesse em melhorar a saúde pública em Franca. Alexandre Ferreira chega ao cúmulo de afirmar que a cidade não pode prescindir do ICV (Instituto Ciências da Vida), contratado para gerenciar os dois Prontos-socorros e responsável por trazer médico falsário para atender a população francana. Chega a prometer, em gesto um tanto retardatário, “sindicância” para apurar a irregularidade. E relata que os pacientes atendidos pelo falso médico serão convocados para nova avaliação. Sobre as irregularidades no pagamento dos salários, nada. E nem um pio sobre a possibilidade de outros falsos médicos estarem atendendo em Franca. Estivesse ele interessado no bem estar do cidadão francano que depende da saúde pública, já teria tomado providências no sentido de sanar pelo menos os maiores problemas que o setor apresenta nos últimos dois anos e meio.
 
Ao contrário do que seria legítimo esperar, os problemas em certas áreas específicas só multiplicaram, culminando com as mortes não convenientemente explicadas de dez pacientes e em nenhum momento lamentadas de forma pública pelo prefeito e seus auxiliares diretamente ligados à área. Alexandre Ferreira, que tem pouco menos de um ano e meio de mandato pela frente, prefere manter as coisas como estão, levando a Saúde em Franca no banho-maria da ruindade. Só resta rezar para que Deus ajude os francanos necessitados do atendimento disponibilizado pelo município, pois não se pode esperar qualquer gesto de compaixão ou de solidariedade da esmagadora maioria daqueles que foram eleitos para, no mínimo, socorrer a população em suas necessidades essenciais.
 
 
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