Jovem, dedicada, competente, apaixonada por basquete e por Franca. Maria Cláudia Comodaro Moraes, 31, como grande parte das garotas que cresceram na cidade, respirou o esporte. Ainda jovem, decidiu ser jogadora de basquete e fez parte da equipe de Campos, no Rio de Janeiro. Tempos depois, fez faculdade de educação física, cursos de especialização e hoje é árbitra de basquete, tendo apitado em alguns dos principais campeonatos do País. “Sou agradecida imensamente ao basquete e à arbitragem, que sempre trouxeram coisas boas para a minha vida e tento me dedicar ao máximo pra retribuir tudo que já conquistei, disse ela, que ganhou da Liga Nacional o troféu de árbitro revelação da NBB em 2013. “Em 2015, recebi uma premiação por arbitrar o Jogo das Estrelas, que aconteceu em Franca. Fiquei bastante emocionada”, disse.
Quando decidiu se tornar uma árbitra?
É um sonho de infância ou foi oportunidade de carreira? Meu sonho de infância, na verdade, era ser jogadora de basquete e pude realizar esse sonho quando tinha 18 anos, jogando profissionalmente no Rio de Janeiro defendendo a cidade de Campos. Porém, a realidade era bem diferente e percebi que não era aquilo que queria para a minha vida. Voltei então para Franca para estudar e, seis meses depois, passei no vestibular de educação física da Universidade Federal de Uberlândia. Em 2008, apitei um jogo universitário em Araxá sozinha e aquela sensação de satisfação veio e vi que tinha achado o que queria fazer dentro do basquete. Em 2009 fiz o curso da Federação Mineira de Basquete e agarrava com unhas e dentes qualquer oportunidade que surgia. Portanto, prefiro dizer que decidi me tornar árbitra através de um sonho repentino que precisou de muito trabalho e dedicação com o passar do tempo.
Quais são os principais desafios de sua carreira?
O maior desafio na minha carreira ainda é o preconceito por ser mulher apitando jogos masculinos. Algumas pessoas do meio ainda acham que a mulher é um ser frágil, sem pulso e preferem homens arbitrando jogos. Isso vem diminuindo com o trabalho que vem sendo feito há alguns anos, mas, infelizmente, ainda existe. Se um homem apita algo duvidoso, a torcida grita “ladrão” e outros palavrões clichês, se uma mulher apita algo duvidoso, além de escutarmos os tais palavrões clichês, ainda ouvimos “você é mulher”, “seu lugar é na cozinha”, “no tanque lavando roupa”.
Então você é muito xingada pelas torcidas? Como lida com isso?
Sou xingada em todos os jogos (risos). A cultura brasileira é bem diferente da de outros países. O que tento fazer é não prestar atenção nos palavrões e sempre me focar no jogo.
Como francana, o que você acha do atual momento do Franca Basquete?
Sempre fui apaixonada por basquete desde criança e por isso acompanhei por vários anos o time de Franca, vi jogos do All Star contra o Dharma, vi o Cougar, o Marathon, jogadores que jamais irei me esquecer do basquetebol fantástico que apresentava, como era o caso do estrangeiro Dexter e do empolgante Vargas. Além, é claro, dos ídolos francanos Chuí, Helinho, Rogério, o técnico Hélio Rubens, entre outros. Já atualmente, acompanho o basquetebol francano de longe, pois como sou árbitra da Federação Mineira apito jogos de Franca apenas no NBB e na LDB. Porém, é nítido que o time passa por um momento difícil, mas Franca está indo por um caminho do qual acredito muito, que é a renovação. Além disso, a torcida jamais deixou de apoiar a equipe, por isso creio que o trabalho será árduo, mas trará bons frutos com o tempo.
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