Quando alguém procura a delegacia após ser vítima de um golpe, as ocorrências que são registradas corriqueiramente envolvem notas falsificadas ou os tradicionais “calotes”, ou seja, quando se deixa de pagar uma dívida.
No caso da manhã de ontem, em uma ótica do Centro, o dinheiro utilizado para o golpe era verdadeiro, mas defasado. Tratava-se de seis notas de dracmas, dinheiro grego aceito por uma funcionária como pagamento de armações de óculos que equivalem a mais de R$1.800.
Com o argumento de que estavam pagando com euros, moeda que substituiu o dracma na Grécia em 2002, dois homens e uma mulher convenceram a funcionária da loja a aceitar o dinheiro como pagamento de produtos de marcas renomadas mundialmente.
Um dos homens se identificou como Carlos Nunes Pinto Salazar. Com seus comparsas, ele levou um par de lentes de contato de R$ 135, duas armações de R$ 380 e R$ 360 e dois óculos de sol de R$ 490 cada. Toda a ação criminosa foi registrada pelas câmeras da ótica e já estão em poder da Polícia Civil.
Ao perceber que o estabelecimento de sua propriedade e de sua mulher foi alvo de estelionatários, um comerciante de 52 anos, que também é policial, procurou o 1º Distrito Policial para registrar boletim de ocorrência. À reportagem do Comércio, o policial informou que os golpistas já agiram em outros estabelecimentos da cidade. “Soube que eles se hospedaram em um hotel, onde ficaram por alguns dias antes de fugir sem pagar. Eles modificam a forma de dar golpes: ora pagam com dinheiro desconhecido pelas pessoas, ora deixam de pagar”, disse o policial, que ainda informou que, embora tenham ido em apenas três à ótica, há a possibilidade de uma quarta pessoa estar envolvida nos crimes praticados em Franca.
Investigações
Como forma de reunir pistas e alcançar os responsáveis pelo prejuízo, os proprietários da ótica entregaram à polícia imagens do circuito interno de segurança do estabelecimento. Nelas, é possível visualizar o rosto dos dois homens, em pé, e da mulher, que estava sentada em uma cadeira.
Para o delegado do 1º Distrito Policial, Luís Carlos da Silva, que já iniciou as investigações para chegar aos golpistas e conta com as imagens do interior da ótica para solucionar o crime, a forma como a vendedora foi abordada contribuiu para o êxito no crime. “Eles a convenceram a aceitar os dracmas para depois ir a uma casa de câmbio e fazer a conversão em real. Graças às imagens das câmeras de segurança da ótica, temos os rostos dos suspeitos”, afirmou Luís Carlos.
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