Alexandre ignora denúncias e mantém ICV no PS de Franca


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A secretaria municipal de Saúde, Rosane Moscardini, e o prefeito Alexandre Ferreira, ontem em inauguração na Vila São Sebastião
A secretaria municipal de Saúde, Rosane Moscardini, e o prefeito Alexandre Ferreira, ontem em inauguração na Vila São Sebastião
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) disse nesta quinta-feira que o ICV (Instituto Ciência da Vida) continuará prestando serviços para a Secretaria Municipal de Saúde, mesmo a empresa sendo investigada pela polícia por contratar falsos médicos. A afirmação foi feita durante a inauguração da Ala Pediátrica da UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila São Sebastião.
 
O ICV é alvo de uma operação da Polícia Civil do Estado de São Paulo, que investiga um grupo de falsos médicos que atuava em Prefeituras do interior. Até o momento, já foram identificadas seis pessoas acusadas de exercer ilegalmente a medicina. Pablo Mussolin é uma delas e está preso. Contratado pelo ICV, ele trabalhou atendendo pacientes no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” por quatro meses. Em um desses meses, ele afirmou ter uma jornada de trabalho impossível. Teria trabalhado 31 dias seguidos, sem descanso, o que lhe rendeu um salário de mais de R$ 81 mil. 
 
Na última quarta-feira, agentes da polícia estiveram na sede da empresa em Sorocaba e apreenderam pastas, livros de registros e peças de computadores. Há suspeita de que o grupo de falsários trabalhando para o instituto seja ainda maior. 
 
Apesar da gravidade das denúncias, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) foi categórico ao afirmar ontem que não irá rever o contrato de prestação de serviços do ICV. “Não há a possibilidade de desfazer o contrato. A população precisa de atendimento e não podemos prescindir desta empresa.”
 
Sobre as denúncias e a investigação da polícia, Alexandre disse que já entrou em contato com o ICV. “Pedimos explicações para eles (sobre os falsos médicos). Eles já estão nos mandando a documentação dos médicos que atuam hoje na cidade e dos que já atuaram no passado.”
 
A intenção é fazer um pente-fino para verificar se todos possuem registro junto ao Conselho Regional de Medicina - documento obrigatório no Brasil para o exercício da profissão. O único problema é que não foi estabelecido nenhum prazo e, enquanto isso, os médicos ligados ao instituto continuam atendendo nos dois prontos-socorros da cidade. 
 
Sobre Pablo Mussolin, já identificado por ter atuado em Franca, o prefeito disse que nos próximos dias a Secretaria de Saúde deve começar a notificar os pacientes atendidos por ele para uma nova consulta. “Temos que avaliar os pacientes que passaram por este médico para que possamos ter uma noção do que houve e de como ele procedeu.”
 
Segundo Alexandre Ferreira, a primeira informação obtida pela Prefeitura é de que Pablo se formou médico em uma universidade no exterior, mas não conseguiu revalidar seu diploma no Brasil. “Ainda não recebemos a confirmação desta situação, mas parece que ele tinha o curso, mas não tinha o aval do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).”
 
O ICV atua em Franca desde julho do ano passado. Inicialmente, estava contratado para prestar serviços por seis meses, mas o prazo vem sendo prorrogado. Decisão da Justiça do Trabalho, após pedido de liminar para suspender o contrato, autoriza a prorrogação até que o processo seja julgado.
 

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