Franca tem o pior 1º semestre da história em novos empregos


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Fábrica de Franca parada, após férias coletivas dada a funcionários no início deste mês
Fábrica de Franca parada, após férias coletivas dada a funcionários no início deste mês
Franca registrou no primeiro semestre de 2015 o pior saldo na geração de empregos formais dos últimos 13 anos. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), de janeiro a junho deste ano foram admitidos 6.075 trabalhadores. Embora pareça muito, o volume é menos da metade das vagas criadas em anos anteriores, como 2010 e 2004. Se compararmos todos os primeiros semestres da série histórica, o menor resultado tinha sido registrado em 2005, quando foram gerados 6.185 postos de trabalho. 
 
Para o economista da USP de Ribeirão Preto e pesquisador da Fundace (Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia), Sérgio Sakurai, os números retratam o momento econômico ruim e comprovam que, dos anos analisados, o atual é o mais difícil. “A economia está mal e todos os setores estão sentido. O enfraquecimento é generalizado.”
 
Na opinião de Sakurai, o fraco desempenho é resultante de uma somatória de fatores como a restrição de crédito, as altas taxas de juros e o menor poder de compra. “Os produtos e serviços estão mais caros e os salários não têm acompanhado essas altas, o que provoca uma reação em cadeia.”
 
De acordo com o Caged, em junho último, dos oito setores analisados pelo órgão, somente três - extrativa mineral, serviços e agricultura - apresentaram resultado positivo e, ainda assim, com números ínfimos. “Não há como crescer sem planejamento, e não é possível planejar sem o mínimo de estabilidade. Em 2014, vimos com preocupação a economia travar várias vezes, até sua estagnação. Desde então, a indústria esteve em compasso de espera”, diz o presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão.
 
Indústria de calçados
No caso da indústria de calçados, o total de empregos gerados no primeiro semestre vem em trajetória de descida desde 2012 e representa apenas a recuperação de parte das vagas fechadas no final do ano anterior. Em outubro de 2013, segundo o Sindifranca, o setor possuía 30,3 mil funcionários. No mês passado, esse total era 25,1 mil. Uma queda 5,2 mil vagas, que também se traduziu em redução de produção. 
 
“A queda na geração de vagas na cidade é uma consequência da conjuntura econômica nacional. Faz parte de um processo que começou ainda no ano passado, se agravando durante este ano e sem perspectiva de melhorar antes do segundo semestre de 2016. Para se adequar à nova realidade, as empresas reduziram investimento e cortaram gastos, o que atingiu diretamente o quadro de funcionários. Já que, sem pedidos, não há como manter as esteiras em atividade”, ressalta Brigagão.
 
Setor comercial
Mas o cenário de enfraquecimento não se restringe apenas à indústria. No setor comercial, a crise também se faz presente e se traduz em demissões. No calçadão do Centro da cidade, três lojas de móveis e eletrodomésticos, filiais de diferentes redes varejistas, fecharam as portas no primeiro semestre. 
 
A mais recente ocorreu no mês passado, quando oito funcionários foram demitidos. “As vendas caíram e como o aluguel do ponto é muito caro, por estar no Centro da cidade, a empresa decidiu por fechar a unidade”, disse uma fonte ligada à varejista.
 
 
 

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