Empresários calçadistas e representantes do setor, juntamente com o Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca), decidiram se mobilizar para pressionar o governo federal pela renovação das medidas antidumping contra o calçado chinês. A permanência da cobrança de sobretaxas é defendida para evitar a concorrência desleal dos produtos fabricados na China, que chegam ao Brasil com preços inferiores aos praticados no mercado local.
A mobilização foi defendida ontem, durante um café da manhã realizado na sede do Sindifranca, pelo presidente-executivo da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), Heitor Klein. “Estamos trabalhando na revisão do direito antidumping, para que sejam analisadas as condições do mercado, para ver se o problema de concorrência desleal persiste e se as taxas devem prosseguir no valor que são cobradas atualmente (US$ 13,85 por par importado), ou se serão reajustadas”, disse.
A renovação do antidumping está em processo de análise - aberto em março e com previsão de duração de dez meses, podendo ser prorrogado por mais dois meses. Enquanto a decisão final não é tomada, a sobretaxa permanece ativa com a tarifa original.
De acordo com Klein, existe comprovação de que a cobrança deve persistir para manter o produto brasileiro competitivo. “Temos a comprovação na área técnica de que a competição desleal persiste. Atualmente, pode haver uma alteração no quanto isso impacta no processo. Mas, sem dúvida alguma, o problema ainda existe”, disse.
Segundo o presidente, a mobilização dos empresários calçadistas é importante agora, pois o processo entrará na parte política, quando devem ser analisados os aspectos políticos da questão. “A competitividade do produto brasileiro no mercado doméstico será bastante afetada e nós observaremos, sem dúvida, um crescimento muito alto das importações de calçados, pois a China é um produtor muito forte e com preços que não têm comparação no mercado, baseados em práticas desleais e benefícios fiscais”, completou.
Durante a reunião, os empresários também se manifestaram sobre outros temas. A terceirização da atividade fim da empresa, que está no Senado para análise, é um dos pontos defendidos pelos calçadistas. Eles acreditam que o processo poderá ser benéfico para as indústrias. Já o programa de proteção ao emprego, na opinião dos empresários, é dispensável, já que as empresas precisam atender dezenas de exigências que não as beneficiariam.
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