Afora os males da crise política, na economia estamos às voltas com inflação acelerada, carência de investimentos, recessão e desemprego. O nível da atividade econômica está abaixo daquilo que se poderia considerar aceitável.
Duas notícias veiculadas neste Comércio comprovam isso. A primeira diz respeito à queda das exportações de calçados feitas pelo parque industrial francano — ‘Exportações encolhem US$ 6 milhões nos primeiros cinco meses do ano’. A segunda é que ‘vamos ter dois anos de deserto’, conforme relatou o diretor do Instituto de Estudos e Marketing Industriais.
O pior é que essa conjuntura se deteriorando rapidamente. Os valores do IBC-Br-Índice de Atividade Econômica do BC, parâmetro de avaliação do ritmo de crescimento da economia e que exerce grande influência sobre as estimativas do mercado financeiro para o PIB e para a taxa Selic, divulgados na última sexta-feira, não foram nada favoráveis. Em maio o índice mostrou queda de 1,27% no mês e de 2,78% no ano. O desempenho do setor comercial ‘certifica’ essa estagnação.
As perspectivas sobre a alta dos preços são, igualmente, sombrias. Os otimistas dizem que a inflação chegará a 9,12% em 2015. Completam esse quadro de desalento o desemprego, a queda na renda familiar e o consequente baixo consumo. De acordo com a PNAD Contínua, no trimestre encerrado em maio havia 8,1 milhões de pessoas desocupadas.
Só ajuste fiscal não é suficiente. É preciso redirecionar a economia e colocá-la numa rota de crescimento. Para tanto, há lições de casa para todos: o Judiciário deve liquidar com urgência o ‘imbróglio’ da Lava Jato para sanear o terreno; o Executivo, mostrar a que veio, pois, não é só aumentar impostos, há que cortar despesas e mostrar a trilha do desenvolvimento; o Legislativo, trabalhar buscando o bem comum e não meros interesses pessoais e corporativos.
Vicente P. Oliveira
Economista - FEA/USP
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