Foram poucos os momentos na história brasileira onde tantos figurões da política e do meio empresarial estiveram francamente acusados do cometimento de crimes e malversações que vão de compra de votos, a loteamento dos cargos públicos e deságuam em assalto aos cofres públicos e de empresas estatais. Todo dia surgem novos nomes de, até aqui, intocáveis. Esses retaliam e carregam, junto, outros supostos inexpugnáveis. Já há processos contra a presidente da República, os presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados e dezenas ‘imunes’, que têm denúncias contra si, analisadas por tribunais superiores.
Protegidas pelo princípio da presunção de inocência até que se prove o ilícito que teriam cometido, essas personalidades lançam-se ao confronto aberto com antigos e novos desafetos, arrastam outros participantes para o tacho dos malfeitos e a Nação assiste a tudo, escandalizada.
Pior é que esses senhores e senhoras, agora suspeitos de terem cometido ilícitos, continuam em seus postos, com toda a liberdade para continuar errando e colocando o país a perder. Ousam, até, tentar desqualificar o trabalho da Justiça, hoje o último bastião em que a sociedade pode se apoiar na espera da volta à normalidade nacional.
O aperto de ultimamente foge ao normal, mas não consegue romper com a impunidade. Da mesma forma que a Justiça tem prendido preventivamente empresários e outros envolvidos em escândalos financeiros, deveria afastar sumariamente também os governantes, parlamentares e ocupantes de cargos públicos. Sem a força de seus postos, não terão como prejudicar investigações.
Um detentor de mandato eletivo é representante do povo. Quando é suspeito de ter praticado crimes ou irregularidades, fica moralmente impedido de exercer a representação. Substituto legal deve assumir seu posto até a solução do seu problema. Isso preservaria a instituição pública e os partidos políticos. Quem erra é o homem, jamais a instituição...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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