Será que vão largar o osso?


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O vice-presidente do Brasil, Michel Temer, disse ontem em uma palestra em Nova York que pode ocorrer “um dia” de o PMDB deixar o governo e virar oposição, especialmente se tiver candidato próprio nas eleições presidenciais de 2018. Esta é a primeira vez em que o presidente de honra do PMDB levanta a possibilidade, que pode enterrar de vez o segundo mandato de Dilma. A presidente enfrenta grande resistência no Congresso, inclusive de partidos aliados, e registra o menor nível de popularidade desde quando foi empossada no primeiro mandato.
 
Para a principal voz peemedebista aventar a hipótese, impensável alguns meses atrás, percebe-se que o governo deverá enfrentar maiores turbulências nos próximos tempos. O PMDB vem andando lado a lado com todos os governos depois da redemocratização, desde José Sarney (1985-1990), passando por Fernando Collor, Itamar Franco, pelos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso, de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Há 30 anos o partido atua no primeiro escalão do governo federal e, dono das maiores bancadas na Câmara dos Deputados e do Senado, dá condição de governança a quem esteja no Poder. No impeachment de Fernando Collor, teve papel preponderante no processo que derrubou o então presidente, ao abandonar o barco diante das denúncias que se avolumavam. E a movimentação atual tem grandes semelhanças com a de 1992.
 
Agora que as investigações da Operação Lava Jato apontam para alguns de seus principais integrantes, como o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-ministro (e senador) Edison Lobão, entre vários outros, o partido começa a se movimentar no sentido de tentar um descolamento do governo Dilma — no qual está profundamente enraizado a ponto de causar atritos da presidente com a sua própria legenda, o PT, em razão da distribuição de cargos nos principais escalões da administração federal. O PMDB, que sempre busca obter vantagens em função de sua grande bancada no Congresso, tenta se blindar, lutando para não ser contaminado com a corrupção na Petrobras e se manter forte e unido para alçar voo solo em 2018, buscando o protagonismo na política brasileira. Até hoje, mesmo com grande bancada parlamentar, nunca passou de um coadjuvante de luxo, utilizado apenas para fazer a balança pender a favor daqueles que apoia.
 
A mudança no discurso de Temer é prova cabal de que a Operação Lava Jato está atingindo os seus objetivos, o que pode causar um verdadeiro tsunami dentro do próprio PMDB, uma vez que nomes de proa no partido também estão na mira da investigação. As últimas pesquisas mostram que nem o ex-presidente Lula está refratário às denúncias que surgem a cada dia, mostrando que sua popularidade também está em baixa, acompanhando a de Dilma Rousseff. Analistas acreditam que o PMDB pode dar um tiro no pé caso abandone o governo, pois pode passar recibo de oportunista e corporativista, afastando o eleitor que pretende disputar daqui a três anos. Só o tempo dirá se a estratégia surtirá os efeitos desejados.
 
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