Palhaçadas legislativas


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Ele já foi chamado de folclórico, por causa de seus ternos de colorido vibrante. Hoje, é tachado de ridículo e tornou-se personagem jocoso da política francana. O vereador Laércio Matias (PP), o Laercinho, por causa de suas atitudes e da defesa incondicional que faz do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), a quem chama de “Xandão”, virou alvo de deboches nas redes sociais. A reação negativa à persona grotesca que ele decidiu encarnar, enseja pensar que vão lhe faltar votos para um novo mandato, já que há muito tempo não honra os que recebeu e lhe renderam uma cadeira na Câmara. Adesista de primeira hora, defende os interesses de qualquer um que esteja à frente do Poder Executivo, independente da filiação partidária. Assim, no momento, para estar próximo do poder, ainda que seja de má qualidade, usa os óculos cor-de-rosa que o prefeito ostenta, dizendo que não há grandes problemas na administração municipal.
 
Sua última besteira foi uma sugestão que fez ao prefeito durante a sessão do dia 14: que organizasse uma festa popular, como a conhecida “queima do alho” (atração em festas do peão e rodeios, como a realizada em Barretos), e a apresentação de grandes shows, “tudo de graça”, para reverter a rejeição da população francana. Segundo ele, “arroz com costela e cerveja quente cara” farão subir os índices de aprovação do chefe do Executivo local. Uma asneira deste tamanho envergonha o povo francano, pois o que este vereador teve coragem de dizer virou motivo de piada também fora de nossos limites citadinos. Por ignorância talvez, o citado vereador ignora que a política do “pão e circo” que sustentou o império romano não tem mais vez no presente, na contemporaneidade, no Brasil onde as pessoas estão cada vez mais enojadas diante da desfaçatez dos que vêm administrando de forma incompetente, quando não venal, o País, alguns Estados e muitas cidades. Diante das dificuldades dos que buscam atendimento de saúde, educação de qualidade e, agora, empregos, a fala do vereador francano é acintosa. 
 
Laercinho faz do seu mandato uma palhaçada, pois lhe faltam substância e integridade para atender aos interesses daqueles que o elegeram. A administração municipal está caótica, cercada de denúncias; é alvo de processos  na Justiça. Mas para Laercinho, que já foi flagrado tentando ‘comprar’ o silêncio de um sitiante do Paiolzinho que teve suas terras invadidas pelo alargamento de uma estrada vicinal, inclusive oferecendo mudas de eucalipto da municipalidade, está tudo bem. A bem da verdade, ele só mantém o mandato por causa do corporativismo que domina o Legislativo francano, que também não cassou o mandato do vereador Luiz Vergara (PSB), líder do prefeito na Câmara, agressor de um eleitor dentro do plenário.
 
Laércio Matias expõe, com seus atos excêntricos, completa falta de capacidade para se manter como legislador. Fala absurdos, age de forma histriônica, tenta de jeito ridículo defender o indefensável. Tornou-se um bobo da corte, que no máximo faz rir com suas pantomimas, tratando a coisa pública sem a seriedade merecida. Deveria estar denunciando, de forma contundente, o verdadeiro descompasso entre o que é efetivamente feito e a propaganda enganosa do prefeito, que pinta a própria administração como se tudo estivesse correndo às mil maravilhas. Com o objetivo de ganhar visibilidade de qualquer jeito, Laercinho transforma a Câmara em um circo onde tem espaço para exercitar sua vocação de palhaço. É vergonhoso para uma cidade do porte de Franca.
 
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