Mulher de 37 anos morre após quatro dias de ‘via-crúcis’ no PS Municipal


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Aparecida Helena dos Reis morreu aos 37 anos
Aparecida Helena dos Reis morreu aos 37 anos
A morte da operadora de caixa de 37 anos Aparecida Helena dos Reis, ocorrida na noite da última sexta-feira, vem engrossar a fúnebre lista de casos suspeitos na Saúde de Franca. Segundo a família, a paciente teria ido por quatro dias seguidos ao Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, após sentir dores no estômago e fortes palpitações. Na unidade, ela teria sido, sem diagnóstico, tratada com soro e liberada na terça, quarta e quinta-feira. Na sexta-feira, já sem conseguir se sustentar de pé, foi encaminhada à Santa Casa, onde morreu por volta das 22h30. Segundo parentes, houve suspeita de pneumonia, mas nada foi confirmado.
 
“As palpitações eram tão fortes que a gente via a blusa dela se mexer. Os braços começaram a ficar brancos e as unhas ‘roxinhas’”, disse a tia da operadora Maria de Lourdes Alves, que a acompanhou durante as idas ao PS. “Na quarta, as pernas já estavam endurecidas. Ela chegou a cair no banheiro e estava andando na cadeira de rodas. Mais uma vez, a levamos ao PS e ela foi liberada. Ela ainda deu uma melhorada, porque baixaram a diabetes dela, mas ainda assim não estava bem”, continuou. 
 
Ainda de acordo com a tia, um médico teria prometido apresentar o resultado de exames pedidos por ele. Mas foi embora sem cumprir a promessa. Liberada de novo, Aparecida pediria ajuda uma última vez, na sexta. “Ela já estava numa fraqueza infinita e não queria comer. Chegamos ao PS por volta das 7h30 e só saímos de lá depois que pedi ao médico para internar a Aparecida na Santa Casa. Isso aconteceu por volta das 17h30.”
 
Já na Santa Casa, a paciente passou a respirar com a ajuda de oxigênio. Dispensados, os familiares foram chamados de volta à Santa Casa por volta das 23h20. “A médica apareceu, toda sem graça, e disse que ela deu entrada na Santa Casa com um quadro ‘um pouco grave’, que não sabia explicar ao certo o que aconteceu, mas que minha prima teria tido uma parada cardíaca e não resistido”, contou Gisele Araújo. “Minha tia, mãe da Aparecida Helena, tem a saúde muito frágil e, quando soube, desmaiou. As duas moravam sozinhas e era minha prima quem cuidava da casa.”
 
Sem diagnóstico, a família resolveu registrar um Boletim de Ocorrências e solicitar uma autopsia do corpo na esperança de descobrir o que teria levado uma mulher de 37 anos, aparentemente com boa saúde, à morte em cinco dias. Para a família, o sofrimento poderia ter sido evitado caso o socorro fosse preciso já na primeira entrada no PS. “É muita tristeza. É preciso ter mais respeito, acordarem para a vida, porque não é possível a Saúde de Franca continuar desse jeito!”
 
O sepultamento de Aparecida Helena ocorreu no último sábado, no cemitério da Saudade.
 
A Prefeitura
A Secretaria de Saúde foi acionada ontem para falar sobre as condições em que Aparecida Helena dos Reis morreu, bem como as do atendimento dado a um operador de prensa que teve os movimentos das pernas paralisados após receber medicação no “Álvaro Azzuz” (leia mais). O Comércio tentou contato através de e-mail à assessoria de imprensa da Prefeitura e por telefone na própria Secretaria de Saúde, que informou estar apurando os relatos e que, possivelmente, encaminhará uma resposta à imprensa nesta terça-feira.

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