Saúde: mais um caso de polícia


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A falta de competência, sensibilidade e lucidez do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) torna sua gestão a cada dia mais temerária, especialmente quando a saúde do francano é colocada na berlinda. O gerenciamento dessa área de extrema importância vem sendo alvo de denúncias, críticas e suspeitas que deixam a população sempre mais insegura e apreensiva. Desde a ‘indústria das horas extras’, que permitia supersalários a médicos das unidades de saúde públicas na cidade, até o esvaziamento completo da Casa do Diabético, que já foi uma referência de atendimento no interior do País, passando pela dezena de mortes suspeitas, não se vê por parte do Poder Público qualquer tentativa de melhorar o quadro que encontramos hoje à nossa frente. Quem depende de atendimento público em Franca, precisa contar com a sorte. Buscar as UBS’s (Unidades Básicas de Saúde), UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” tornou-se uma ação próxima à da atividade lotérica.
 
A prisão na quinta-feira desta semana, na cidade paulista de Mairinque, de Pablo Mussolim, que usava nome falso para exercer a medicina na rede pública, ajuda a expor de forma mais acurada o caos em que se transformou a gestão da saúde em Franca. Pablo, que furtou nome e documentos do médico Pablo Vinício Tomaz Galvão, trabalhou por seis meses no Pronto-socorro de Franca e participou da mais recente fraude descoberta no setor: em agosto de 2014, segundo relatório do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo), ele registrou ter trabalhado 31 dias, 24 horas por dia, e recebeu R$ 81 mil. O falso médico era ligado à OS (Organização de Saúde) ICV, contratada pela Prefeitura de Franca para administrar os PSs Municipal e Infantil. A organização recebeu por horas extras fraudadas. O pagamento saiu do bolso do contribuinte francano, claro.
 
O prefeito e sua secretária de Saúde, Rosane Moscardini, vão com certeza alegar que não podem ser responsabilizados por situações criadas pela cooperativa de médicos. Porém, ambos têm responsabilidade sim, pois a municipalidade deveria exigir pelo menos idoneidade dos médicos trazidos pela OS. Quem garante que não havia outros falsos profissionais envolvidos no esquema? Quem conseguirá aquilatar os danos que este falso médico pode ter causado a pacientes que atendeu? A situação, agora policial, deixa clara a falta de condições da atual administração municipal em cuidar de um setor essencial, que lida com saúde, com vidas humanas. E fraudes, negligência e atendimento precário colocam em risco a vida dos que precisam de acompanhamento médico na cidade. Ninguém mais tem dúvidas de que algo muito errado está caracterizando o setor. 
 
Aparentemente indiferente às ações na Justiça por conta das duas “indústrias das horas extras” descobertas e das investigações sobre as mortes suspeitas de pacientes após o atendimento nas unidades administradas pelo município, recentemente a Prefeitura decidiu remanejar médicos e funcionários para a UPA do Aeroporto, desfalcando ainda mais UBSs e o PS. Com isso, dificultou o atendimento e a marcação de consultas nestas unidades, provocando filas, reclamações e um descompasso entre a necessidade dos francanos e a realidade apresentada em propagandas de TV- que são também pagas com dinheiro do contribuinte, claro. Quem depende da saúde pública em Franca não aguenta mais ficar assistindo à propaganda enganosa, nem esperando mais ano e meio por solução. Esta se faz urgente, antes que fatos ainda mais graves aconteçam.
 
 
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