‘Não desejo mal... Nem a esse moço’, diz viúva de frentista


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Hyago de Paula Rodrigues, 22 anos, do Jardim Palmeiras, confessou que matou o frentista. Ele foi preso soltando pipa
Hyago de Paula Rodrigues, 22 anos, do Jardim Palmeiras, confessou que matou o frentista. Ele foi preso soltando pipa
Dois dias após sepultar seu marido, ela decidiu desabafar. Com palavras de perdão e sobre Deus, a mulher do frentista Márcio Rangel, vítima de latrocínio no início da semana passada, aceitou falar, por telefone, com a reportagem do Comércio sobre o crime que chocou Franca, especialmente pela frieza do assassino confesso, que, após alvejar o frentista com tiros na cabeça, revistou seu bolso enquanto ele estava caído e levou R$ 74.
 
Com um tom de voz contido, como se tentasse fazer a dor esvair e evitar a fala embargada, a mulher de 45 anos - que pediu para não ter o nome divulgado - definiu o latrocínio como uma adversidade. “A gente crê que Deus sabe de todas as coisas. Não quero mexer com isso. Quero guardar o luto. O que ocorreu com meu marido foi uma fatalidade. Aconteceu o que tinha que acontecer”, disse a dona de casa.
 
Um dia depois do enterro de Rangel, o autor do crime foi preso. Trata-se de Hyago de Paula Rodrigues, de apenas 22 anos, morador do Jardim Palmeiras. Investigadores da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) chegaram ao assassino enquanto ele soltava pipa perto da casa da irmã, no Jardim São Luiz. O jovem confessou o assalto e disse à polícia que atirou no frentista porque precisava de dinheiro e o trabalhador teria reagido.
 
Embora parte da população francana tenha se manifestado com revolta em comentários publicados no Portal GCN e até mesmo o delegado Márcio Murari tenha afirmado que os envolvidos ficaram surpresos com a crueldade de Hyago, a mulher de Rangel diz que não nutre nenhum sentimento negativo pelo criminoso. “O que tenho a dizer é que não desejo mal de ninguém. Nem desse moço. Se meu marido estivesse vivo hoje, ele não desejaria o mal dele. Não podemos pagar o mal com o mal”, afirmou.
 
Assim como o frentista, o restante da família é evangélica. A religião, aliada ao processo de perda, tem sido fundamental para que a mulher e os três filhos assimilem a tragédia. “Remexer nisso não leva a nada. Muita gente gostava do Márcio e só temos a agradecer pelo apoio. Temos de aceitar a vontade de Deus. A gente tem de ser diferente. Espero que Ele conforte a família desse moço”, disse, emocionada.
 
Durante a conversa com a mulher de Rangel, uma das filhas do casal também falou sobre a tragédia. Bem como a mãe, ela disse que não guarda rancor pelo ato que terminou com a morte de seu pai. “A dor não vai passar, mas desejamos que o Hyago e a família conheçam Deus. Espero que, quando isso tudo passar, ele seja uma pessoa muito melhor”, disse. Sobre as manifestações de solidariedade que a família recebeu após o assassinato, ela se mostrou grata. “Só tenho a agradecer pelo carinho com meu pai e todo mundo que tem nos ajudado.”
 
 

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