Após descobrir os quatro falsos médicos que atuavam ilegalmente na região de Mairinque (SP), agora a Polícia Civil investiga 60 mortes registradas na Santa Casa de São Roque (SP) e assinadas pelos falsários. Um deles, Pablo do Nascimento Mussolin, teria atuado por seis meses no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, em Franca. A suspeita é que possíveis erros médicos possam ter causado as mortes.
Pablo Mussolin, que utilizava o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Pablo Vinício Tomaz Galvão, já havia sido alvo de uma investigação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, realizada no ano passado em Franca, depois de ter registrado que trabalhou 31 dias seguidos, 24 horas por dia, no mês de agosto de 2014, e recebido R$ 81 mil.
O falso médico foi descoberto depois que uma mulher, que se passava por Cibele Lemos e Silva - médica que atua na região de Franca - abandonou um plantão na cidade de Alumínio (SP). O caso, que ganhou repercussão nacional, acabou levantando suspeitas e, desde então, a Polícia Civil iniciou uma investigação especial que resultou na identificação de outros três falsos médicos, que mantinham relação próxima com a primeira investigada.
Através da confirmação de que o falso médico, preso na quinta-feira, seria o mesmo homem que atuou em Franca e as suspeitas da delegada Fernanda Ueda, responsável pela investigação em Mairinque, agora os atendimentos feitos pelo falso médico na cidade também deverão ser investigados pela Polícia Civil.
A delegada informou que ainda não conseguiu contato com a Prefeitura de Franca, responsável pela contratação do ICV (Instituto Ciência e Vida), organização de saúde contratada pelo município para administrar o PS Municipal e o Infantil.
Segundo médicos ouvidos pela reportagem e que trabalharam com o falso médico em Franca, ele era o responsável por coordenar a escala dos médicos plantonistas, além de ser considerado o “braço direito” do ICV, que até hoje administra os PSs.
“Ele mantinha uma postura que não levantava qualquer suspeita quanto à sua formação. Acreditamos que ele deveria ser formado em outro país. Inclusive, ele atuava em atendimentos mais graves, os denominados casos amarelos e vermelhos”, disse um médico.
De acordo com a delegada, não é possível afirmar se os outros falsos médicos identificados também atuaram em Franca. Mas, como eles mantinham uma relação bastante próxima, sendo inclusive contratados de uma única empresa - Innova Gestão em Saúde e Medicina Ocupacional -, essa possibilidade também será investigada.
Nas cidades de Mairinque, São Roque e Alumínio, onde os falsos médicos também atuaram, os hospitais e PSs estão revisando todos os procedimentos feitos pelos falsários e convocando os pacientes para novas consultas. Enquanto isso, em Franca, nenhuma providência foi tomada pela Prefeitura.
No final da noite de sexta-feira, segundo informações de funcionários do PS Municipal, tanto o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) quanto a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, estiveram no PS. Mas não se sabe se esta visita tem relação com a divulgação da notícia de que o falso médico trabalhou na unidade.
De concreto mesmo, apenas o silêncio da administração, que, até o momento não divulgou nenhuma nota ou deu alguma informação para a população e aos pacientes que foram atendidos pelo falsário pago pela Prefeitura.
Na tarde de anteontem, o Comércio entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura, mas não teve resposta. Um servidor do departamento afirmou que, devido ao “adiantado das horas”, poderia não responder. Novamente, no sábado pela manhã e início da tarde, a reportagem tentou contato com a secretária de Saúde, mas não houve qualquer retorno até o fechamento desta edição.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.