Crise derruba doações de dinheiro e alimentos nas entidades de Franca


| Tempo de leitura: 4 min
Rosinha Aylon, diretora do Berçário Dona Nina, disse que a entidade teve baixa na arrecadação e fechou quatro meses no vermelho
Rosinha Aylon, diretora do Berçário Dona Nina, disse que a entidade teve baixa na arrecadação e fechou quatro meses no vermelho
O mau momento econômico do País, reflexo da alta da inflação e, consequentemente, da renda mais curta tem surtido efeito não somente dentro de casa e nos setores comercial e industrial, mas também nas instituições assistenciais de Franca. Dependentes das doações financeiras e de alimentos da sociedade, as entidades sentem o impacto da crise e para manter os atendimentos e as contas equilibradas precisam recorrer a realização de novas ações a fim de conseguir recursos. Em algumas instituições, as doações de alimentos zeraram e as contribuições em dinheiro chegaram a registrar queda de até 60%.
 
Responsável pelo atendimento de 425 crianças no contraturno escolar com atividades educativas, culturais e esportivas em quatro núcleos pela cidade, a Pastoral do Menor e da Família viu a ajuda de colaboradores minguar drasticamente. Segundo o padre Ovídio de Andrade, presidente da pastoral, as arrecadações mensais que antes totalizam em média R$ 22 mil foram reduzidas pela metade e só estão neste patamar após a sua intervenção. “A queda foi ainda maior. Estávamos arrecadando somente R$ 8 mil quando resolvi ligar pessoalmente para resgatar alguns colaboradores”.
 
Segundo o padre, a partir do momento em que a economia começou a enfraquecer, o reflexo foi imediato e acabou por adiar um plano de expansão do projeto. “Se tivéssemos dinheiro, queríamos começar atender mais 200 crianças a partir de 2016, mas vamos ter que reduzir o número ou deixar para o segundo semestre do próximo ano”.
 
O impacto desse cenário econômico também tem causado impactos na Casa São Camilo de Lellis, no Jardim São Luiz. A entidade viu cessar as doações de alimentos que ajudavam na refeição dos idosos assistidos. De acordo com a coordenadora administrativa Elenir Rodrigues Malta, todos os 40 pacotes de arroz usados mensalmente na Casa eram frutos de doações e hoje precisam ser comprados. “Ganhávamos os 40 pacotes todos os meses, porém, desde janeiro, o que ganhamos somou a quantidade de um único mês”.
 
Elenir relata também que as doações de sócios contribuintes reduziram de R$ 1 mil para R$ 600 no mês e até para a realização de eventos a entidade tem encontrado dificuldades. “As despesas para fazer um evento também estão maiores e há ainda a dificuldade em vender os ingressos”. A Casa São Camilo de Lellis realiza 115 atendimentos mensais de pacientes em situação de vulnerabilidade e tem uma folha de pagamento de R$ 60 mil.
 
Alternativa
Para a fundadora do Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida), que auxilia acompanhantes e pacientes em tratamento no Hospital do Câncer da cidade, Eliane Bonine, a situação da entidade é igualmente complicada. Sem a doação de recursos públicos, o Iansa precisa recorrer todos os meses a realização de promoções para manter suas duas unidades em funcionamento. 
 
Com cinco funcionários e uma despesa de mais de R$ 15 mil, a entidade possui um calendário de eventos que precisa seguir para pagar as contas. “Fizemos uma festa junina no final de junho e agora já temos agendados uma noite do espaguete, a festa da Achiropita, além da venda de pizzas e lasanha”. Segundo Eliane, as promoções são uma alternativa diante da crise e proporcionam um retorno rápido.
 
Crianças
Outra entidade que recorreu a realização de uma festa para recuperar as perdas, já que depende das doações, é o Berçário Dona Nina. Após registrar déficit nas contas de janeiro a abril, o Berçário pediu ajuda a grupos da sociedade para realizar a 1ª Festa Julina. O evento aconteceu nos últimos dias 10 e 11 e a expectativa é a de que a arrecadação tenha alcançado os R$ 40 mil. 
 
De acordo com a diretora Rosinha Aylon, essa verba é extremamente necessária para a entidade, já que com os quatro meses no vermelho, apenas 40% das despesas foram pagas. “Houve queda tanto na doação de alimentos, leite e fraldas como também registramos baixa de 15% no quadro de 600 colaboradores fixos (que compram pizzas mensalmente) e isso faz diferença”.
 
Diante das incertezas econômicas e no intuito de diversificar a captação de recursos, a Apae também apostou na promoção de um evento. De 18 a 21 de junho, a entidade realizou a 1ª Festa da Bondade e acredita ter alcançado seu objetivo. “Apesar de não termos um balanço fechado, o resultado foi muito positivo. Acreditamos que vamos fechar em R$ 90 mil, pois tivemos um bom público que consumiu”, disse a supervisora administrativa Karina Magalhães.
 
Com um custo mensal de R$ 735 mil que permite o atendimento de mil usuários, a Apae reconhece que as festas ajudam na busca pela sustentabilidade ao mesmo tempo que oferecem lazer às famílias, tanto que já organiza para setembro a tradicional Festa de San Gennaro. “As pessoas gostam de sair de casa, quebrar a rotina e ao mesmo tempo colaborar com a entidade”.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários