Fora das quadras, Helinho espera recolocar Franca Basquete nos eixos


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Mesmo com o anúncio de sua aposentadoria, Helinho manterá a paixão pelo esporte em sua rotina. Agora cartola, jogador assumiu a função de gerente-executivo do Franca e tem como missão reestruturar o clube
Mesmo com o anúncio de sua aposentadoria, Helinho manterá a paixão pelo esporte em sua rotina. Agora cartola, jogador assumiu a função de gerente-executivo do Franca e tem como missão reestruturar o clube
A decisão de parar nunca é fácil na carreira de um atleta profissional. Na memória, os dias de glória e todo o esforço ao longo de uma vida dedicada ao esporte. Aos 40 anos, Hélio Rubens Garcia Filho confirmou sua aposentadoria das quadras de basquete. Com o anúncio, o armador entra para um seleto hall do clube, como um dos principais jogadores da história do Franca Basquete.
 
Helinho encerra uma carreira vitoriosa com a camisa do clube que o projetou. Ao todo, foram 21 temporadas dedicadas ao basquete. Além do Franca, Helinho atuou pelo Vasco da Gama e Uberlândia. O armador tem em seu currículo três títulos do Campeonato Paulista (1997, 2006 e 2007), sete do Campeonato Brasileiro (1997, 1998, 1999 e 2006 (Franca); 2000 e 2001 (Vasco); e 2004 (Uberlândia), dois Sul-Americanos (2001 pelo Vasco e 2005 com Uberlândia), três Campeonatos Mineiros (2003, 2004 e 2012) e dois vice-campeonatos do NBB (2010/2011 pelo Franca e 2012/2013 pelo Uberlândia).
 
Com a camisa da seleção brasileira, Helinho disputou duas Copas do Mundo (1998 na Grécia e 2002 nos Estados Unidos), foi campeão dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999, campeão do Sul-Americano da Argentina, em 1999, e vice-campeão da Copa América de 2001, também realizada no país vizinho.
 
Mesmo com o adeus a carreira profissional, o basquete ainda vai continuar no dia a dia de Helinho, mas agora fora das quadras. Com a aposentadoria, o jogador topou um novo desafio no basquete: Se tornar gerente-executivo do Franca. “Meu trabalho é um elo entre diretoria, cidade e time. Acima de tudo, gerir com os pés no chão, sem dar um passo maior do que as pernas, sem gastar mais do que se tem. Quero deixar uma marca em termos de gestão”, afirma. 
 
Para ele, o momento é de se dedicar ao novo cargo, mas seguir os passos de seu pai, Hélio Rubens Garcia, um dos ícones do basquete brasileiro, e ser técnico não é uma ideia descartada. “(...) No futuro quem sabe... Estou muito focado nessa questão de gestão no Franca Basquete, mas vou me preparar para em outras oportunidades estar pronto”. Em meio ao atual momento, Helinho espera dedicar mais tempo à família. O ex-jogador é casado com Cristiane e tem duas meninas: Maitê, de 7 anos, e Luma, de 6.
 
O momento do Franca Basquete é de reestruturação: Arrumar a casa e resolver os problemas financeiros. O time viveu uma grave crise financeira na última temporada e chegou a cogitar pedir afastamento no meio do campeonato. O “recomeço” é com um time modesto, sem estrelas, mas que busca manter viva a tradição do basquetebol francano.
 
Com sua aposentadoria, você topou o desafio de se tornar gerente-executivo do Franca. Como está sendo a experiência nessa nova função?
Estou feliz e motivado. É uma experiência nova, mas que já tinha uma ideia de como era. Estou muito mais ocupado agora do que na época de jogador, são muitos detalhes para coordenar, que vão desde o isotônico da equipe, contratos dos atletas, onde vão morar, compromissos na Federação Paulista e Liga Nacional, entre outros afazeres. É uma responsabilidade muito grande, mas que está sendo bacana de fazer. 
 
Franca passa por um processo de ‘reconstrução’. Por que você decidiu encarar esse projeto?
Além de ser um desafio, considero uma missão muito importante. É uma continuidade de uma tradição. O basquete é muito mais que um time, ele é espelho para milhares de crianças, fonte de lazer, fornecedor de empregos para jogadores, vendedores ambulantes, seguranças, radialistas, entre outros. É um esporte que movimenta paixão. Franca é uma cidade especial, e assim como os americanos, precisa começar a dar esse valor ao esporte.
 
Franca e São José reduziram seus orçamentos. O Pinheiros perdeu seu patrocinador principal, e o Palmeiras pediu licença da temporada. Por que o basquete atravessa essa situação?
O basquete passa por um momento delicado, assim como a maioria dos esportes. O esporte competitivo exige uma estrutura mínima, mas ela tem um custo operacional. Temos que ter os pés no chão, e a consciência de que o esporte tem que ser feito com responsabilidade. É um quebra-cabeça, onde você tem que fazer esporte competitivo, de acordo com o orçamento previsto. Acima de uma eventual vitória, conquista ou título, existe uma tradição com mais de 50 anos e não podemos deixar acabar. 
 
Você fez parte de uma geração vitoriosa no clube, mas Franca vive uma escassez de títulos. Por que o time francano passa por esse jejum, e nunca ganhou o NBB?
Para mim, o NBB nada mais é que um campeonato brasileiro. Ele só mudou o nome. Chegamos perto do título ao ficar em segundo contra Brasília (temporada 2010/2011). Mas isso é fruto do crescimento das outras equipes, da massificação dos jogadores de vários lugares. Ficamos muito mal acostumados. Veja, não é normal ganhar da forma que Franca ganhou. Se você pegar na história do clube, as conquistas vieram graças a ciclos: da Amazonas, Ravelli, Cougar, e por último, Unimed. Vamos trabalhar mais forte para voltar a vencer.
 
Com essa nova função no clube, você desistiu de seguir os passos do seu pai e ser técnico de basquete?
É uma coisa que está dentro de mim. Tirando a modéstia de lado, eu acho que tenho boa leitura de jogo e isso faz parte da minha vida. Quero ganhar conhecimentos, credibilidade fazendo curso, ver treinamentos de times da NBA e da Europa, e no futuro quem sabe... Estou muito focado nessa questão de gestão no Franca Basquete, mas vou me preparar para em outras oportunidades estar pronto.
 
Na carreira de atleta, como foi lidar com o fato de você ser de uma família toda voltada ao basquete e ser filho de um dos grandes ídolos do clube? Existia uma cobrança pessoal para você ‘vingar’ como jogador?
Existia uma cobrança pessoal, e também das pessoas que nos cercavam, sobre se seria jogador como meu pai. Mas sempre consegui lidar de uma forma tranquila e natural. Tive a oportunidade de fazer outros esportes, mas a partir do momento que escolhi o basquete, passei a treinar e me dedicar totalmente. Minha família sempre me apoiou e fui à luta para alcançar meus objetivos que era chegar na equipe de Franca, de ser convocado pela seleção brasileira e disputar Campeonatos Mundial, Sul-Americano e Pan-Americano. 
 
Helinho, você coleciona diversos títulos jogando por três times diferentes. Qual foi a conquista que mais te marcou? E qual a derrota ainda marca em sua memória?
Cada título tem seu sabor especial. Outro dia vi o Oscar (Oscar Schmidt) dizendo que trocaria todas suas medalhas por uma medalha olímpica. Eu penso ao contrário. Não trocaria uma medalha dos Jogos da Primavera por outra olímpica, pois naquele momento você teve pessoas especiais ao seu lado e vibrou de forma diferente. Cada medalha tem uma representação muito grande em nossa vida. Mas a conquista dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, contra os Estados Unidos, foi demais, além dos Campeonatos Brasileiros por Franca, Vasco e Uberlândia. 
 
Você tem algum desafeto dentro do basquete?
Tenho algumas pessoas de que não gosto, por não terem sido leais comigo. Mas posso adiantar que o Nezinho não está entre elas (risos). Fomos apenas rivais dentro de quadra, mas é normal todos falarem disso. Sei dar valor nisso e penso que ele me tem como um jogador melhor, assim como o fiz um jogador melhor. Cada um foi em busca de seus objetivos. Antes minha rivalidade era com o Valtinho, depois Demétrius (na época em que ele jogou no Vasco), e agora o Nezinho. Tenho certeza que em um futuro próximo, assim como o Valtinho e Demétrius, o Nezinho também será um grande amigo meu.
 
Diante de várias disputas em quadra, como é seu relacionamento com o Nezinho?
É bom. A gente conversa algumas vezes. Fomos apenas rivais dentro de quadra. Na final do NBB 3, voltamos juntos de Brasília no mesmo avião, um do lado do outro. Foi engraçado, a imprensa que estava no mesmo voo foi tirando fotos da gente e deu maior repercussão. Pelo lado positivo, vejo a rivalidade de forma saudável, para as pessoas crescerem como profissionais. 
 
Como surgiu a camisa 10? Como foi a escolha e o que ela representou em sua vida?
Comecei jogando com a camisa 8, do meu pai. Ele usava a 8, meu tio Totô foi 7, e o Fransérgio, 6. Então pensei em dar sequência e usar a número 5. Depois, pensando melhor, optei em vestir o número que mais gostava, que era o 10. Lembro na época que tinha o Mauri e Guerrinha disputando o mesmo número na seleção brasileira. Para mim, é um número especial e tive a honra de ter jogado com a mesma numeração em Franca, Uberlândia e pela Seleção. No Vasco tive que atuar com a camisa 4, porque tinha um outro jogador experiente com o número (Mingão), mas também me deu muita sorte.
 
Helinho, ainda bate aquele aperto no coração por ter tomado a decisão de parar de jogar?
Por incrível que pareça ainda bate aquela saudade. Um dia desses, minha filha veio me pedir para jogar mais um ano. Meu pai também é do mesmo pensamento. Mas estou bem tranquilo e consciente do que fiz e do novo trabalho que terei pela frente. Agora espero dar minha parcela de contribuição de outra forma. Mas estou pronto e preparado para jogar os campeonatos de veteranos (risos).

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