O título parece sinistro, mas refere-se a uma realidade atual que, se, em muitos de nós, causa impacto um tanto lúgubre, ao menos boa parcela da sociedade sente-se muito à vontade para cultivá-la.
Está na mídia. Por iniciativa do sociólogo e antropólogo suíço Bernard Crettaz, criou-se espaço para que pessoas reúnam-se em algum lugar só para falarem de morte. Ele observou que principalmente a cultura ocidental não gosta de abordar o assunto, mas sua proposta ganhou repercussão favorável, e cafeterias, bares, restaurantes, clubes e associações, por esse mundo de meu Deus, até se inclinaram a abrigar reuniões dos dignitários da morte e seus seguidores, visto que não dispõem de lugares exclusivos e não tratam de conteúdos ideológicos, filosóficos, nem religiosos.
Ali, a respeito do tema, falam de seus receios, do que pensam, de conceituações religiosas, de circunstâncias que conheceram, enfim, trocam ideias sobre coisas da fatalidade extrema, que, de nossa parte, sabemos, apenas nos arrebata o instrumento de uso temporário.
O que a todos importa, porém, é a certeza de que, como esclarece a Doutrina Espírita, o elemento pensante e emocional do ser continua vivo. ‘Eu sou o Caminho, a Verdade, a Vida’. Aqui, ao falar de vida, Jesus refere-se a si mesmo como proclamador da vida eterna que se agita em dimensões várias.
Já, o espírito Emmanuel, pela psicografia de Chico Xavier, nos assegura: ‘a morte não mata ninguém, muda de endereço.’ Mortos, na acepção comum, mesmo assim continuamos ativos e preocupados com o nosso destino infinito.
Com efeito, vemos com muito bons olhos tais círculos de debates, por tenderem a banalizar tema tão relegado, inobstante tenha o Espiritismo, há mais de 150 anos, matado a morte ao mostrar, com fatos insofismáveis, o realismo da transferência dimensional. Não é por outra razão que Paulo, na sua 1ª carta aos Coríntios (XV: 54), avisou: ‘Tragada foi a morte, pela vitória.’
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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