Para onde vai o emprego?


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O mercado de trabalho tem sido a maior preocupação do brasileiro, nos últimos tempos. Ao contrário das previsões otimistas do MTE (Ministério do Trabalho e do Emprego), que projetava a criação de cerca de 1 milhão de vagas de emprego, 2015 deve fechar muito abaixo disso. Se houver a criação de postos, recuperando-se apenas o que foi perdido, já será positivo. Mas não há nada que indique isso, diante dos índices mais recentes. Conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego), o País voltou a perder vagas formais em junho. Foram fechados 111.199 postos de trabalho no período, enquanto no mês de maio, 115 mil já haviam sido eliminados. O resultado é o pior para o mês de junho já registrado desde o começo da série histórica, que teve início em 1992.
 
No acumulado dos seis primeiros meses deste ano, ainda segundo os dados oficiais, foram fechados 345.417 postos com carteira assinada. O patamar também é o menor para o período desde o início da série histórica, neste caso contabilizada desde 2002. Em 12 meses, o País já acumula a perda de 601.924 vagas. Ainda conforme o Caged, a indústria foi responsável pelo maior corte no mês passado: 64.228 postos de trabalho foram perdidos no período. A construção civil cortou 24.131, enquanto os serviços perderam 39.130. No comércio, foram 25.585 vagas a menos. A agricultura foi o único setor a contratar no mês, ganhando 44.650 vagas. Neste último caso, o aumento deve-se a fatores sazonais, como a colheita de café e outras culturas, que demandaram a contratação de trabalhadores.
 
Analistas não se mostram confiantes na recuperação do mercado de trabalho em curto prazo, mesmo com as mais recentes medidas anunciadas pelo governo, como a redução da jornada e dos salários. Faltam ainda outras providências capazes de recuperar a produção, hoje em baixa, e movimentar a atividade econômica. O setor produtivo brasileiro encontra-se numa situação bastante delicada, sem que haja perspectivas de uma melhora em curto prazo. Tanto o mercado interno quanto o externo não estão nada favoráveis, sem a possibilidade de absorver o excedente da produção. Em todos os setores os estoques estão altos, o que provoca a retração dos empregos. A partir daí, o efeito cascata desestabiliza toda a economia brasileira, com o crescimento da inadimplência e piora dos índices sociais.
 
A necessidade de uma política econômica clara, aliada a um trabalho efetivo do Itamaraty na prospecção de outros mercados e a ampliação de acordos de comércio exterior com grandes parceiros mundiais (como a comunidade europeia e países asiáticos), torna-se prioritária a cada mês de índices negativos. Aqui no Brasil, se a indústria vai mal, todos os outros setores sofrem: a construção civil anda para trás, o varejo não vende e os serviços chegam a um beco sem saída. O aumento da informalidade causada pelo desemprego também impacta na arrecadação de impostos e taxas. Ou seja, todo mundo sofre. A continuar da mesma forma nos próximos meses, nos afundaremos numa crise que exigirá remédios ainda mais amargos para curar a nossa economia.
 
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