Falso médico preso em Mairinque atuou no Pronto-socorro de Franca


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Falso médico, preso em Mairinque, atuou como plantonista no PS ‘Álvaro Azzuz’ em Franca
Falso médico, preso em Mairinque, atuou como plantonista no PS ‘Álvaro Azzuz’ em Franca
Muito provavelmente, você se lembra deste médico: Pablo Vinício Tomaz Galvão. Ele é um dos casos denunciados pelo Comércio, em dezembro do ano passado, de médicos que recebiam supersalários para trabalhar no Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”. Em agosto de 2014, segundo relatório do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, ele registrou ter trabalhado 31 dias, 24 horas por dia e recebeu R$ 81 mil. O que você ainda não sabe é que esse “supermédico”, na verdade, não é médico. E agora, em vez de andar pelos corredores de um hospital, ele está preso em uma cela da Delegacia de Mairinque (SP).
 
O falso médico foi descoberto depois que uma mulher, que se passava por Cibele Lemos e Silva - médica que atua na região de Franca - abandonou um plantão na cidade de Alumínio (SP). O caso, que ganhou repercussão nacional, acabou levantando suspeitas e, desde então, a Polícia Civil iniciou uma investigação especial que resultou na identificação de outros três falsos médicos, que mantinham relação próxima com a primeira investigada. 
 
Em Franca, Pablo Mussolin - verdadeiro nome do falso médico, segundo a polícia - não parecia se importar em passar desapercebido, principalmente para os companheiros de trabalho. Duas pessoas, que mantinham contato frequente com o falso médico, afirmaram que seu perfil era de alguém expansivo e carismático, que gostava de ostentar. “Ele sempre aparecia em uma BMW nova e mostrava fotos de outros carros importados. Adorava contar que era médico e nunca levantou suspeitas.” 


Pablo Mussolin, o falso médico que atuava em Franca 
 
Ainda de acordo com eles, Pablo dizia ter vindo do Rio de Janeiro. “Ele tinha mesmo um sotaque diferente. Sempre aparecia com um amigo, que também se dizia médico desta mesma cooperativa (ICV - organização de saúde contratada pela Prefeitura para administrar os PSs Municipal e Infantil). Esse, no entanto, não gostava de muito papo.”
 
Pablo, que usava irregularmente o registro do Conselho Regional de Medicina (CRM) de Pablo Vinício Tomaz Galvão, foi preso em flagrante anteontem, junto com outra mulher. 
 
Depois da prisão, diversas fontes e leitores do Comércio reconheceram o falso médico como sendo o homem que, durante cerca de seis meses, trabalhou como plantonista no PS ‘Dr Álvaro Azzuz’. Segundo essas mesmas pessoas o rapaz se apresentava como Pablo Tomaz. Foi para este nome que R$ 81 mil foram pagos a título de plantões num único mês de agosto de 2014.
 
De acordo com a delegada Fernanda Ueda, que juntamente com a delegada Simona Ricci, é responsável pela investigação em Mairinque, Pablo confessou que usava o registro falso para exercer a medicina. Ele teria dito, em depoimento, que cursou medicina na Bolívia, mas informou não possuir o Revalida (Sistema de Reavaliação de Diplomas Médicos no Brasil), por isso utilizava o CRM do outro médico. A delegada disse que não há confirmação de que o acusado tenha se graduado em medicina no exterior. 
 
Pablo, que atuava ilegalmente como médico desde 2011, realizava apenas plantões em Franca, não exercendo nenhuma especialidade. Em São Roque, o falso profissional era contratado pela Innova - Gestão em Saúde e Medicina Ocupacional. A delegada informou que uma possível relação entre as duas empresas e o eventual envolvimento delas com as fraudes serão investigados. 
 
Os dois falsos médicos devem continuar presos preventivamente por pelo menos 10 dias, podendo ter a prisão prorrogada até o encerramento das investigações. A falsa médica que utilizava o nome de Cibele continua foragida. 
 
Os verdadeiros médicos, que tinham seus registros utilizados pelos falsos profissionais, também serão investigados por possível conivência à fraude.
 
Os suspeitos podem responder por crimes de falsidade ideológica e exercício ilegal da medicina, além de possíveis erros médicos. De acordo com a delegada, somente no final das investigações será possível pontuar por quantos e quais crimes eles responderão. 
 
Prefeitura se cala
Ontem, por volta das 16h40, a reportagem entrou em contato com a Prefeitura, responsável pela contratação da OS que resultou no esquema de pagamento de supersalários a médicos e falsos médicos, mas não teve resposta. Um servidor da assessoria de imprensa afirmou que, devido ao “adiantado das horas”, poderia não responder. Até o fechamento desta edição, não houve retorno. 
 
O delegado regional do Cremesp de Franca, Ulisses Minicucci, disse que está em andamento uma sindicância sobre o caso no Cremesp, mas não há prazo para término do procedimento. O Cremesp, em São Paulo, disse só estar ciente do caso de Alumínio (SP).

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