Não se passa um dia sem que os jornais impressos e os televisivos publiquem informação que, em país sério, seria capaz de abalar as estruturas. Principalmente porque constantemente o noticiário envolve autoridades políticas que deveriam estar zelando pelos interesses dos seus eleitores, mas, ao contrário, zelam por si próprios e seus aliados. A corrupção, endêmica, é escancarada a cada delação à Justiça Federal, no âmbito da Operação Lava Jato, onde se fala de milhões e milhões de dólares desviados da (ainda) mais valiosa estatal brasileira. Além disso, operações em sequência da Polícia Federal descobrem desvios, fraudes e ação criminosa de grupos que querem levar vantagem em tudo, em detrimento do bem estar daqueles que trabalham e produzem a duras penas, pagando impostos e não recebendo uma contrapartida em serviços com o mínimo de qualidade.
Se não recuperarmos a nossa capacidade de receber certos fatos com indignação, então estaremos entregando o nosso País e suas riquezas a ratazanas que afagam com uma mão e assaltam nossos bolsos com outra. A revelação de nomes de políticos no escandaloso esquema que funcionava na Petrobras — as investigações da Lava Jato apontam deputados, senadores e ex-ministros como beneficiários das propinas pagas pelo “clube das empreiteiras” — não tem sido encarada com a devida atenção: são eles que decidem os destinos do País, fazem leis que nos afetam e determinam os rumos dos investimentos públicos. Não podemos mais ficar esperando pelos desdobramentos do caso, como ocorreu no “mensalão”.
Com certeza, no final a Justiça vai prevalecer. Mas deve partir do eleitor a decisão de mudar todo o quadro que aí está, legando aos seus descendentes um Brasil mais sério, mais honesto e menos arrasado por mãos ávidas por dinheiro, vantagens e poder. Precisamos voltar a pressionar, sempre dentro dos preceitos legais, e tomar as rédeas dos nossos destinos — e os dos que nos sucederão. O brasileiro tem uma arma poderosa nas mãos (o título de eleitor) e precisa utilizá-la com conhecimento e inteligência, pois do contrário continuaremos à mercê de verdadeiras aves de rapina que atacam, sanguinárias, o patrimônio de todos nós. A cada parcela desviada nestes esquemas corruptos muitos sofrem com a falta de atendimento de saúde satisfatório, de educação de qualidade ou de uma infraestrutura necessária para a vida nos centros urbanos e fora deles.
O nosso povo, que há dois anos foi capaz de tomar as ruas de praticamente todas as cidades do País, numa pressão que, se não surtiu os efeitos desejados, deixou a classe política do Brasil bastante preocupada, precisa evidenciar sua insatisfação. Precisa demonstrar sua já verdadeira ojeriza para com os eleitos para representá-lo e mandar um recado direto de que não vai mais compactuar com as ações criminosas que sonegam de nossa população uma vida mais digna, mais humanizada e menos sacrificada. É o único caminho que se pode desenhar para salvar o Brasil da corrupção que corrói nossas instituições e os cofres públicos, abastecidos com o dinheiro de nossos impostos. Precisamos voltar às ruas.
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