Mesmo diante de um momento de profunda dor, a mãe do pequeno Diogo Henrique Balbino Soares, 6, que morreu na noite da última quarta-feira, 15, após ser atropelado no dia anterior, realizou ontem, 16, um gesto de solidariedade. Após a confirmação da morte da criança, Raquel Pereira Balbino autorizou a doação dos órgãos do filho mais velho. “Meu desejo era que o coração ficasse aqui para eu abraçar essa criança.”
A captação dos órgãos foi realizada na manhã desta quinta-feira, em uma corrida contra o tempo, por equipes médicas de São Paulo e Ribeirão. Além do coração, foram doados os rins e o fígado.
Diogo foi atropelado na manhã de terça-feira, 14, quando tentava atravessar a avenida Adhemar de Barros para ir até a escola no Jardim São Luiz. Ele estava sozinho e acabou sendo pego por uma motocicleta que, segundo Raquel, desviou para evitar uma colisão com a traseira de um veículo.
Com o choque, Diogo sofreu traumatismo craniano e, após um dia internado na UTI da Santa Casa de Franca, não resistiu às complicações. “Queria estar no lugar dele. É uma dor muito grande. Foi uma luta a chegada dele”, disse a mãe em entrevista ao Comércio, após ter a confirmação da morte encefálica do garoto.
Desempregada, Raquel disse que morava com os dois filhos - o segundo filho tem 1 ano de idade - em uma casa no Jardim Centenário, na zona Leste da cidade, e sempre o deixou o filho ir sozinho para a escola, localizada do outro lado da avenida. “Éramos só nós três, o pai dele está preso. Ele ia e voltava sozinho da escola. Estava acostumado”, disse ela.
Ainda segundo a mãe, ela teve a criança aos 16 anos e sem o apoio da família. “Minha mãe queria que eu tirasse o Diogo, foram as minhas primas e meus tios que me ajudaram. Ele era uma criança muito importante na minha vida. Dava um jeitinho para tudo, parecia gente grande.”
A doação
Em nota, a assessoria da Santa de Franca informou que a morte cerebral da criança foi confirmada na noite de quarta-feira, por volta das 20 horas, após o cumprimento do protocolo seguido pela equipe médica, de acordo com o Conselho Federal de Medicina.
O hospital afirmou ainda que, após a autorização da família para a doação dos órgãos, foram captados os rins, o fígado e o coração.
O procedimento durou cerca de quatro horas e contou com a participação de equipes médicas de São Paulo e Ribeirão Preto. “O coração e o fígado foram enviados a São Paulo e os rins, para Ribeirão Preto”, informou a Santa Casa no comunicado à imprensa.
Segundo familiares de Diogo, seu sepultamento será realizado na manhã desta sexta-feira, 17, no Cemitério Santo Agostinho. O horário não foi confirmado.
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