Acordo nuclear com o Irã


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O acordo nuclear entre o Irã e potências ocidentais expõe fraquezas de ambos os lados. O programa nuclear iraniano é barganha política para sobrevivência do regime em Teerã. Não tem a ver com ameaça a Israel, mas sim, com política doméstica. O regime teocrático do Irã é impopular entre a população. Já são 34 anos de tropeços sociais, políticos e econômicos. Apesar do país ser signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear e de ter declarado uma ‘fatwa’ (condenação islâmica) ao desenvolvimento de artefatos nucleares, eliminar o programa nuclear deixaria o país politicamente mais vulnerável.
 
Em 2010, quando vivia em Teerã, aconteceu a Declaração de Teerã o Itamaraty e os persas na presença do ex-presidente Lula. Iranianos não davam a mínima ao fato de seu país desenvolver tecnologia nuclear. O rechaço vinha da única potência nuclear da região, Israel, arquirrival política da nação persa. O desespero israelense em ver o vizinho desenvolver programa atômico é que faz o Irã ser pressionado com sanções que afetam sua saúde econômica.
 
A ratificação do acordo removerá sanções contra o país. Empresas voltarão a operar lá e injetarão bilhões na economia. Perdem Israel e os países árabes, que sempre viram o regime como ameaça. Afinal, o Irã tem 75 milhões de consumidores jovens — 70% da população tem menos de 35 anos. Um enorme mercado.
 
Politicamente falando, nada mudará no governo teocrático iraniano. Nada mudará também para os Estados Unidos e seus aliados, que voltarão a lucrar naquele mercado pago em petrodólares. O programa nuclear iraniano será reduzido, mas não interrompido. O Ocidente, ao comando de Israel, continuará demonizando o governo de Teerã. O que deveria ter impacto político, acaba como acordo econômico. Não é tarde demais para celebrar uma boa intenção que chega já fora de tempo?
 
Jorge Mortean
Geógrafo, mestre em Estudos Regionais do Oriente Médio 

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