Qualquer evento político em nível nacional, guardadas as devidas proporções, acaba se reproduzindo localmente, principalmente aqui em Franca, onde as acusações de irregularidades dominam um governo municipal que, como se dizia antigamente, “não fede nem cheira”. Enquanto isso o francano sofre com a crise nacional, com queda na produção de sua maior indústria e reflexos no mercado de trabalho, impactando de forma negativa todos os setores de nossa economia. Vivemos uma situação de incertezas, sem que haja o que possa prenunciar um futuro mais tranquilo, pelo menos em curto prazo. Alia-se a esta instabilidade um prefeito turrão, que aparentemente não se preocupa com os problemas da população que lhe outorgou o mandato e muito menos procura reconhecer seus erros e falhas, com índice de popularidade baixíssimo, da mesma forma que a presidente Dilma Rousseff (PT).
Na última terça-feira, cinco dos vereadores da base aliada de Alexandre Ferreira (PSDB) na Câmara Municipal fizeram discursos durante a sessão do Legislativo, anunciando uma rebelião que poderia dificultar a aprovação de matérias de interesse do Executivo. A grande reclamação, externada pelo vereador Josivaldo Bahia (PTB) em desabafo na tribuna, aponta para o desinteresse do prefeito em acatar suas indicações beneficiando os jardins Palma e Éden. O coro foi engrossado por Zezinho Cabeleireiro (PPS) e Laercinho (PP), este último vice-líder de Alexandre na Câmara. Ainda participam do grupo de descontentes os vereadores Pastor Otávio (PTB) e Donizete da Farmácia (PSDB).
Quem acompanha o dia-a-dia da Câmara já sabe: esta rebelião é só “para inglês ver” — da mesma forma como ocorre no Congresso Nacional, onde se trocam apoios por cargos. Percebe-se que esta pressão não irá muito longe, uma vez que, em reunião marcada para a próxima quarta-feira, 22, os rebeldes devem receber nova promessa do prefeito de atender as suas reivindicações. E com isso, certamente, se calarão e aprovarão tudo o que emana do Paço Municipal, o que têm feito até agora. A Câmara Municipal perdeu uma grande chance de dar um fim a esta relação que torna o Legislativo refém do Executivo. Os vereadores disseram não à aprovação do Orçamento Impositivo, ao contrário de Casas de Leis da maioria dos municípios brasileiros, onde melhorias e benefícios dos parlamentares inscritos na peça orçamentária têm que ser executados.
A reação dos cinco vereadores da base não passa de jogo de cena e deixa uma lição que eles deveriam aprender: “quem muito se abaixa acaba mostrando o traseiro”. O desespero bateu há pouco mais de um ano das eleições municipais, já que eles não terão o que oferecer aos seus eleitores e ficará muito mais difícil pedir votos. Porém, a questão ainda é mais profunda, diante da submissão da maioria dos integrantes da Câmara aos desejos do prefeito Alexandre Ferreira. Nem com esta mis em scène barata, que todos já sabem como termina, eles conseguirão reverter a visão que os francanos têm de sua atuação.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.