‘Poderia ter morrido. Renasci depois do acidente’, diz vítima de cerol


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Mateus Silva quase morreu ao ter pescoço cortado por linha com cerol enquanto andava de moto; hoje, usa antena protetora
Mateus Silva quase morreu ao ter pescoço cortado por linha com cerol enquanto andava de moto; hoje, usa antena protetora
Sete anos se passaram depois que o professor de geografia Mateus Kléber Silva, 32, sofreu um acidente quando saía do trabalho. Mas uma grande marca em seu pescoço e as lembranças de dor e desespero daquele dia não o deixam esquecer que quase perdeu a vida.
 
O professor foi cortado por uma linha de pipa com cerol ao passar de moto pela rodovia Cândido Portinari, na altura da alça de acesso da Vila São Sebastião. “Quando cortou, comecei a perder uma grande quantidade de sangue e a me sentir fraco. Só quando vi pipas no céu, percebi que podia ter sido cortado por uma linha com cerol”, disse.
 
Por sorte, Mateus foi atendido por um enfermeiro que passava pelo local e conseguiu estancar o sangue até o resgate chegar. Ele teve a veia jugular atingida e passou por uma cirurgia na Santa Casa. O ponto cirúrgico envolveu toda a frente de seu pescoço e ele ficou 20 dias de repouso sem poder falar muito. “O médico disse que se não fosse a gordura do meu pescoço, eu teria morrido na hora, eu renasci depois do acidente. Foi muito grave”, afirmou a vítima.
 
Depois do acidente, ele instalou uma antena anticerol em sua moto, mas evita usar o veículo nas férias, quando uso do cortante é mais comum. Para o professor, o uso do cerol é uma forma de “demarcar o território e mostrar poder entre crianças e jovens nos bairros”.
 
O dono da pipa foi identificado pela polícia e, por ser um menor de idade, o pai dele foi penalizado a prestar serviços sociais. “Os pais devem orientar os filhos para que não façam uso de um brinquedo que pode matar. Até hoje, a cicatriz me incomoda porque é uma forma de lembrar o que passei no acidente.”
 
Na semana passada, vários grupos de meninos soltando pipas podiam ser vistos nos bairros da cidade. Um morador do Aeroporto, de 14 anos, empinava uma pipa que indicava o uso de vidro com cola na linha devido à coloração mais escura, mas ele negou a prática. “Eu não estou usando, mas sei de muitos que brincam com cerol por aqui”, disse o adolescente.
 
Para orientar a população sobre os riscos durante a “temporada de pipas” das férias, a PM listou dicas de segurança.
 
Leis e punições
Em 2009, o vereador Pastor Otávio Pinheiro (PTB) criou uma lei que proíbe o uso cerol em linha para empinar pipa em locais públicos, com multa de 250 UFMFs (Unidades Fiscais do Município de Franca), o que equivale a cerca de R$ 12 mil.
 
A lei pontua que o pagamento de multa não exime o infrator de responsabilidades civil e penal no caso de danos à pessoa física e a propriedades públicas e privadas. “Denúncias anônimas podem ser feitas pelo 190 da Polícia Militar e pelo 3724-1033, da Guarda Civil, que fiscalizam essa prática de uso de cerol nas linhas”, disse o secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli.
 
Segundo a assessoria de imprensa da PM, no Estado de São Paulo uma lei torna ilegal a fabricação e o comércio do cerol e outra proíbe o uso do produto.
 
Também de acordo com a PM, pode haver implicações penais, configurando crimes de perigo concreto, de lesão corporal e até homicídio, dependendo das circunstâncias da ocorrência.
 

Cuidados ao soltar pipas
 
• Não solte pipas perto da rede e da fiação elétrica, prefira os campos abertos ou parques.
 
• Se a pipa enroscar nos fios da rede elétrica, não tente tirar. Ao puxar a pipa, os fios podem se tocar, provocando curto-circuito e rompimento de cabos. Além de ocasionar a falta de energia elétrica, essa atitude pode causar graves acidentes ou morte.
 
• Não solte pipas em dias chuvosos ou com relâmpagos. Você corre o risco de levar uma descarga elétrica.
 
• Não use cerol nas linhas das pipas. Além de proibida, essa prática constitui um grande risco para as pessoas, podendo provocar acidentes graves ou morte de ciclistas e motociclistas.
 
• Não use linhas metálicas ou fitas magnéticas, pois são materiais condutores de energia elétrica e podem causar acidentes.
 
• Não suba em telhados, lajes, postes ou torres para empinar ou recuperar pipas.
 
• Não permita que as crianças brinquem próximas a ruas movimentadas, sobre lajes ou telhados.

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