O volume de vendas no Espaço Moda Franca, na Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), caiu mais que a metade de 2013 para este ano. O número de pares vendidos pelo bloco de micro e pequenas empresas francanas diminuiu 58,4% nesse período. Os dados são do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). A avaliação foi feita no último dia da 47ª edição da Francal, que aconteceu de 6 a 9 de julho, no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo.
Em 2013, 125,8 mil pares foram negociados no Moda Franca, que somava 24 expositores. Já em 2014, 17 empresas venderam juntas 64,5 mil pares de calçados. Neste ano, foram 18 expositores que comercializaram 52,3 mil pares, conjuntamente.
A pesquisa do Sindifranca também constatou uma queda na média de pares vendidos por empresa, resultando numa redução de 44,5% nos últimos dois anos.
A empresa Via Paula, que montou estande no Espaço Moda Franca, notou diminuição nos negócios em relação à Francal do ano passado. “Infelizmente, a visitação diminuiu muito e não tivemos grandes negócios fechados. A feira foi bem fraca”, disse a estilista da empresa, Clara Carolina de Oliveira.
O levantamento do sindicato mostrou também que 66% das empresas francanas classificaram a Francal como regular ou ruim. Ao todo, 45 empresas da cidade participaram da Francal. Dessas, 43 responderam ao questionário do Sindifranca. De acordo com a pesquisa, 43% consideraram a feira regular e 23%, ruim. Apenas 4,7% classificaram a feira como ótima. Para 29,1%, o evento foi bom.
O número de empresas francanas participantes também diminuiu de 2013 para este ano, apesar de um ligeiro aumento em relação a 2014. De 60 estandes caiu para 43 no ano passado e, agora, foram 45.
Para o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão do Couto, a classificação pessimista reflete a crise nacional, que não permitiu grandes investimentos.
A empresa Artshoes, que também montou estande no evento, conseguiu melhores resultados que no ano passado, mas não ficou imune aos efeitos da crise. “Vendemos cerca de 4 mil pares, o que representa um crescimento de 20% em relação a 2014. Mas sentimos que as pessoas estão economizando e a feira estava pouco movimentada”, disse o diretor-geral Célio de Paula.
A Francal divulgou que 15,8 mil lojistas do Brasil passaram pela feira, além de 43 mil profissionais e 1.205 lojistas estrangeiros vindos de 64 países.
O sindicato pontuou ainda os fatores externos que prejudicaram as vendas. Em 2013, os lojistas culparam os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus; em 2014, os baixos números foram atribuídos à Copa do Mundo no Brasil; e, em 2015, à crise econômica.
Em entrevista ao Comércio, no final da feira, o presidente da Francal disse que o balanço foi positivo, mas com os pés no chão. “A Francal não resolveu o problema da crise, mas começou a dar um empurrãozinho para que esta crise fosse afastada do nosso setor. Isso, tenho certeza, aconteceu. Vamos começar a recuperar as exportações a curto e médio prazos.”
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